terça-feira, 13 de abril de 2010

Então...


A vida inteira foi sempre a mesma coisa: levantar cedíssimo, ir para o trabalho e chegar em casa no início da noite. Um automóvel excelente era seu parceiro de rotina - talvez seu melhor amigo! - e, vez ou outra, arriscava um cumprimento geométrico com suas sobrancelhas.

De temperamento impetuoso e agressivo, colecionou homéricos bate-bocas - e isso, sem falar nos "finalmente"!

Amigos!? Nenhum, volto a dizer, mas para quê!? Afinal, foi sempre um homem independente, um verdadeiro super-homem.

Ele não percebeu (normalmente, é sempre assim), mas o tempo passou, e hoje limita-se a olhar os netos numa parva expressão de devaneio - verdadeiro "anjo emoldurado".

A morte, com seu olhar frio e calculista, o espreita de esguelho, mas ele ainda não se deu conta disso, e o amanhã continuará reservado a outros e outros e outros, verdadeiros astros e estrelas da incrível dança da vida...



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nos corredores da vida...


Cena 1: caminho através do corredor de acesso ao supermercado onde, também, saem de lá os automóveis em sentido contrário.

Cena 2: escuto o tradicional "bip-bip" de um carro que vem em minha direção; em seu interior estão o motorista e um acompanhante; a buzinadinha foi dirigida a uma morena que caminha à minha frente.

Cena 3: eles acabam de passar por mim e "bip-bip", mais uma buzinadinha e eu, reconhecendo o som, olho prá trás e percebo que a nova homenagem, dessa vez, foi para uma outra garota que vem atrás de mim.

Cena 4: mais um "bip-bip", só que partiu em direção a uma falsa loirinha que estava mais atrás ainda...

Uma única certeza perspassa meu cérebro: as três garotas certamente ficaram na dúvida de quem realmente foi a merecedora daquele "bip-bip" galanteador, não é verdade? E, certamente, frustradas com tamanha indecisão e falta de sensibilidade dos jovens conquistadores que, pelo jeito, não sabem o que querem...

"bip-bip", com licença, estou com pressa!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ó, Doce Yá...

Segundona, dia cheio prá muita gente, menos prá mim; estou me preparando para fechar a porta e correr à praia que me espera como uma Yemanjá prontinha a me embalar... Opa, de repente, a lembrança - Acender a vela azul clara prá minha doce Yá! Aí, então, depois de uma prece feita de coração, caminhar pela praia como se o mundo estivesse aos meus pés.

Menos de um quilometro percorrido e diviso uma porção de pessoas que, em seus ritualísticos, se preparam para uma pequena cerimônia; vão entregar um barquinho que, no movimento de vai-e-vem das ondas, irá direto para o alto mar - isto é, se a Senhora das Águas aceitar a oferenda, caso contrário, retornará à praia (pois em ambas as situações, o que vale é a intenção do ofertório).

Atabaques em uníssono, pontos cantados aos Orixás, a defumação presente e, de repente, sou saudado pela Mãe-de-Santo que, de incensário na mão, me abençoa em meio a outros devotos; ganhei até uma mensagem de presente - "abra teu sorriso ao mundo para conseguir o que necessitas...". Hmmm, muito interessante, haja visto como venho me surpreendendo com o jeito que vislumbro a vida...

Aceito a benção e giro meu corpo 360 graus em sinal de respeito e agradecimento, e abro um admirável sorriso para aquela mulher que, sem me conhecer, acabou tocando minha alma de forma singular - simples em seu jeito de ser e majestosa em sua essência.

O barquinho é conduzido para além das sete ondas com muito carinho e respeito, propiciando um clima de ansiedade geral, onde é fácil de se ler nos semblantes frases do tipo "ai, meu Deus, não deixe o barquinho voltar, não!"... E não voltou!

Doce Yá aceitou o mimo que, lentamente, foi sumindo em direção ao alto mar para, depois, ser tragado pela imensidão dos domínios dessa fantástica Senhora.

Meus olhos perderam de vista a frágil embarcação, e meu coração encheu-se com a certeza de que aquilo não acontecera por acaso, não. Houve, sim, a incrivel e maravilhosa conexão de meu ser com a força e a energia de Yemanjá... e não foi preciso que a terra estremecesse ou, então, que o mar adentrasse com sua fúria para que isso fosse sentido, pois Ela é amor puro, por isso que se canta "como é lindo o canto de Yemanjá, faz até o pescador chorar, quem escuta a mãe d'água cantar, vai com ela pro fundo do mar, rainha das ondas, sereia do mar".

Ó, Doce Yá, eu te saúdo com muita ternura e com muito amor...







terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nosso eterno Cazuza.


Há poucos dias, recebí um email que me foi repassado, no qual uma pretensa psicóloga (cujo nome não vale a pena citar neste meu espaço), tece severas críticas a Cazuza. Começa com um título pouco ético e profissional - "CAZUZA, UM IDIOTA MORTO" - e continua com afirmativas densas que vão desde chamá-lo de um filhinho de papai irresponsável, traficante, bêbado, pervertido sexual e outras mazelas mais; algo realmente terrível de se ler, principalmente sabendo-se que foi escrito por uma pessoa que tem por mérito trabalhar com a mente humana - uma bola fora cometida por essa profissional!
Por não aceitar afirmações assim, tão grosseiras e descabíveis, me ví na obrigação de rebatê-las, pois, para mim, Cazuza marcou época na história da música brasileira - um ser de raro talento musical e poético, sem dúvida alguma.
Todavia, o que ele fazia de sua vida particular, sinceramente, a mim pouco importa - cada um de nós já tem a sua para cuidar -tarefa bastante dificil, que envolve um grau de responsabilidade muito grande... o que me importa é que Cazuza, dentro de seu livre-arbítrio, viveu a sua vida sem ferir ou macular a do próximo - marca registrada de um cidadão.
E tenho certeza absoluta que sua vida, seu mapa pessoal e as impressões que por aqui deixou causaram e ainda causam inveja em muita gente. Nesta selva sociabilizada em que vivemos, conseguiu ser ele mesmo, coisa que a maior parte das pessoas não conseguem em função de uma série de "empecilhos" que nossa sociedade hipócrita fomenta e arquiteta. Viveu pouco, mas viveu plenamente, e isso é um fato que ninguém pode ou tem o direito de questionar.
E valeu o desabafo!!! Fui...










sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A aventura de andar de ônibus na cidade de São Paulo


Em primeiro lugar, a equipe que idealizou e projetou os ônibus que estão circulando em minha querida São Paulo não anda de ônibus - isso eu tenho certeza absoluta!


A aventura começa logo após a passagem pela roleta do cobrador, onde está a porta de saída... Quem vai descer logo, tem de se virar nesse espaço onde o segurar-se exige uma prova de aptidão e altura, pois quase não se tem onde segurar! Os que não descem logo, vão passando por essa turba jogada ao Deus dará, para irem se aglutinando lá no fundo. Detalhe: essa porta de saída deveria estar lá no fundão, e até agora não consigo entender a fonte inspiradora dessa obra verdadeiramente arrojada!


A coisa não pára por aí, não! Existem os tais ônibus cujos pisos possuem rebaixamento feito em degraus, ou seja, a gente adentra o veículo e, de repente, tem de descer dois degraus até chegar à catraca - o pior de tudo é que isso normalmente acontece com o veículo arrancando ou já em movimento, o que nos induz a movimentos de coordenação e equilíbrio interessantes para conseguir essa proeza. Tenho certeza que as pessoas mais jovens e/ou que gozam de boa saúde física acabam se dando bem nessa prova, mas duvido que o mesmo aconteça com quem já tem uma idade relativamente avançada ou, então, problemas relativos a limitação de movimentos e outros mais como, por exemplo, EU, que apesar do tamanho e da aparência saudável, tenho muitas limitações decorrentes de L.E.R/D.O.R.T. - vocês não imaginam como é gostoso fazer uma viagem de pé daqui de onde moro, na Chácara Santo Antônio até, por exemplo, a Praça da Sé num veículo com um movimento desses que vai desde arranques frenéticos até freadas bruscas. As pessoas que se danem, pois o jeito é segurar-se do jeito que der...


Dentro dessa maratona incrível que representa a utilização do transporte público - cada vez mais deplorável, infelizmente - adicione-se, também, o mau humor e a má vontade de alguns motoristas que usam e abusam de um poder que nunca lhes foi conferido, um poder subliminar que lhes permite andar por aí e dirigir um veículo que transporta pessoas, seres humanos, do jeito que bem quizerem, arrancando em velocidade, trocando marchas em movimentos rápidos e quebrados e brecando abruptamente em lombadas e buracos já conhecidos de seus trajetos... para quê isso!?


É imprescindível comentar sobre a velocidade com que alguns desses motoristas dirigem, algo simplesmente patético e, ao mesmo tempo, revoltante, pois acaba-se constatando o grau de indiferença e irresponsabilidade para com a sua própria segurança e, o mais importante, com a segurança de todos os usuários.


Os técnicos responsáveis sabem muito bem o perigo que representa a frenagem de um desses veículos em alta velocidade e o espaço que necessitam para que isso aconteça a contento e com segurança.


Acredito piamente que instituir a velocidade máxima de 70 km/hora para esses condutores de massa, seria mais do que lógico e coerente - seria dar mais dignidade a todo um processo que cada vez mais confronta e afronta preceitos humanitaristas.


Lanço aqui um desafio às autoridades competentes para que desçam de seus veneráveis altares e utilizem esses veículos públicos, principalmente em horários mais "nobres", disfarçados de pessoas comuns, para sentirem na própria pele as emoções de uma dessas aventuras...


E aproveito para deixar registrada aqui a pedra fundamental para uma campanha popular de peso endereçada aos representantes do povo: que todos eles reflitam com muita atenção e muito carinho nas palavras que acabei de escrever; imaginem que suas famílias, seus entes queridos e amigos estão por aí, perdidos em meio a uma população que necessita e se submete cada vez mais a tudo isso, e reflitam se é muito dificil criar e sancionar uma lei que tenha competência para, não só proibir veementemente os excessos de velocidade nos veículos públicos como, também, criar mecanismos mecânicos que frustrem as tentativas dos choferes de aumentar a velocidade máxima permitida. Isso é possível, sim, basta apenas a real intenção de querer levar tal projeto adiante.


E por falar em projeto, é bom lembrar que não demora muito para termos novas eleições, não é verdade? Por que os políticos não aproveitam esse gancho para fazerem disso uma meta, tornando-a concreta e possível, dispensando, assim, maior respeito pelo cidadão? Ao menos será muito mais coerente e construtivo do que, por exemplo, preencherem seu tempo tentando criar ou mudar nomes de ruas! E, lógicamente, o povo tem de participar ativamente, pois disso refletirá seu bem estar.


Agradeço a atenção e a colaboração do "SPUrgente", e espero que este pequeno "movimento" sirva para lançar boas sementes com o consequente desabrochar de algo maior e melhor em termos de mudanças sociais positivas, obrigado.




Esta postagem foi gentilmente publicada no blog www.saopaulourgente.blogspot.com.br

Não deixem de visitar este primoroso "jornal virtual", que trata de assuntos de interesse geral relacionados à cidade de São Paulo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Amarração de mentes... "Tu sofre?"



Gente, pode parecer algo simples e comum, mas já perceberam determinados anúncios de fundo de quintal, daqueles colados em postes e outros lugares interessantes onde se lê algo do tipo "amarração para o amor", além de outras "pérolas"? É impressionante notar como esse tipo de propaganda está proliferando de forma assustadora e descarada; em alguns casos, promove-se tanto esse tipo de trabalho que só falta fornecer nota fiscal para uma posterior garantia do consumidor... e garantia de quê!? Que a pessoa vai gozar dos benefícios do produto pelo resto da vida? Que vai ser amada de coração, incondicionalmente? Que vai conseguir abraçar poder e riqueza em função da queda do seu próximo?

Pode parecer cômico, mas a coisa é extremamente séria! E quem paga por isso são as pessoas que, como eu, teimam em se manter firmes e coesas no caminho da Lei Maior que, para muitos dos que realizam esse tipo de trabalho, deve ser desconhecida, caso contrário não incorreriam em abusos e erros desse quilate, onde acabam sobrecarregando não só o carma de quem os procura para realizarem esse trabalho como, também, deles próprios.


A Lei é exata e única, não requer esforços intelectuais para compreendê-la... "se erramos com conhecimento de causa, a cobrança do Plano Maior é extremamente severa, comparada com quem errou dentro da ignorância!" É muito simples, uma questão de causa e efeito, só isso.


O pior de tudo é que, na maioria das vezes, nem à justiça dos homens pode-se recorrer quando se sentir lesado, pois não há como se provar, é muito dificil. Primeiramente, o charlatão assusta seu cliente com palavras ameaçadoras e amedrontadoras, incutindo-lhe problemas sérios e de dificil resolução; depois, explica que existem meios para "limpar" tal situação, mas a demanda envolve uma série de hítens que acabam deixando o consulente preocupado e desanimado por não saber como fazer para obter a todos eles, um por um. Aí, então, mui generosamente e de forma bastante cristã, explica que terá o maior prazer em prestar tal auxílio espiritual mediante um acordo pré-determinado, acertando-se uma quantia que cubra as mercadorias e o trabalho em sí... simples, não é mesmo?


E a pessoa vai embora, confiante, achando que tudo será feito conforme o que foi acordado e, o mais interessante, com os problemas em fase de resolução...


Infelizmente, isso ainda acontece em pleno século XXI; é a eterna batalha dos exploradores X explorados; dos espertalhões X ignorantes; faz parte da dialética da história do ser humano, está justificada pela "lei do mais esperto" - o trouxa que se dane! E até quando?


Ahhh, gente, juro que se pudesse responder a essa pergunta com segurança e certeza essas coisas já estariam relegadas ao campo do esquecimento, num acervo de memórias escritas e condicionadas em livros, dispostas numa espécie de museu de bizarrices, tais como "coisas assim aconteceram neste planeta, acredite se quizer." Mas isso foge do campo de minhas ações...


Só me resta continuar trilhando o caminho da Lei Maior , realizando o "bom combate" no dia-a-dia, tendo em minha fé interior a certeza de que tudo está em constante movimento, tudo! E essas pessoas inescrupulosas que tomem cuidado, pois, nesse movimento, as Leis Cósmicas não são alteradas e/ou relaxadas com o tal "jeitinho" dos humanos, não; muito cuidado, pois a Lei do Retorno pode até tardar, mas não nunca falha!!! Fui...








terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ao manOlavo (agora caiu a ficha!!!)


Pois é, no última dia 29 foi o enterro de meu único irmão, quase dezoito anos mais velho do que eu - ou seja, práticamente uma geração à minha frente. Sou espiritualista, e tenho certeza que essa alquimia muito me ajudou a enfrentar esse processo, mas...


De início, tudo parecia parado, como se o tempo estivesse bolinando comigo - "onde já se viu isso, meu mano véio morto!?"


E a cortina da vida foi se descerrando, lenta e gradativamente, até que realmente me caiu essa ficha, e percebí que, depois de meus pais, perdí meu último elo de ligação a um todo histórico mais próximo - minha célula familiar - "sim, meu irmão está morto!" - e vários flashes de lembranças sobrevieram à minha mente...


Eu me permito afirmar que três fases distintas marcaram profundamente minha ligação com ele. Numa primeira fase, ele foi como que um herói onde, direta e indiretamente, fortes valores me acabaram sendo passados e por mim absorvidos, uma espécie de continuidade em que eu trilharia esse caminho que me permitiria galgar os degraus das minhas realizações... creio que isso se passou em minha infância, minha puberdade, minha adolescência e até uma parte de meu ser adulto.


Na fase intermediária, eu diria que meu irmão tornou-se o "vilão" desse meu processo - e escrevo vilão entre aspas, porque quero deixar claro que ele nunca soube disso, muito menos agiu de forma como se assim o fosse, pois tais parâmetros não me foram por ELE inculcados ou impostos - onde acabei percebendo que tais valores diferiam e muito daqueles que se processavam dentro de mim, com perspectivas e buscas completamente distintas com relação à minha pessoa e com este mundo enorme ao meu redor. Mesmo assim, respeitávamo-nos como seres singulares e nos amávamos como seres cósmicos ligados pelo mesmo sangue. Esta foi, talvez, a fase mais longa...


Na terceira e última fase - que durou o tempo entre sua partida de Sampa até sua morte, uns seis anos aproximadamente - conseguimos realizar o bom combate juntos, mesmo que na maior parte desse tempo à distância. Foi um período em que não só consegui enxergar nele um grande amigo e companheiro como, também, um filósofo inato; ele me premiou com poucas e boas frases oriundas de sua experiência e de seu grau de evolução. E certamente nunca esquecerei disso, nunca! A saudade que ele sentia de sua terra natal tornou-se bastante forte, a ponto de combinarmos sua vinda prá cá por uns tempos - e isso, sem dúvida alguma, representaria um altar à nossa ligação - mas, infelizmente, a doença foi muito rápida e esses planos ficarão conosco num tipo de "memória póstuma"... faz de conta que um dia isso aconteceu!


Mas o que importa mesmo é que esses últimos tempos semearam muita amizade e muita cumplicidade entre nós dois, como se gozássemos dessa relação privilegiada em todo o percurso de nossa história de irmãos.


Portanto, acho que é agora, neste exato momento, que me despeço dele com o coração permeado pela alegria e pela saudade. Você foi um grande camarada, Olavo, e deixou este plano tão rápidamente que só agora é que tive vontade de sentar e escrever estas linhas, só agora.


Não sei exatamente onde você está, mas tenho certeza absoluta que está muito bem, e isso me deixa feliz. Um dia a gente vai se reencontrar, e até lá quero deixar registrado meu carinho, meu amor e meu muito obrigado por tudo o que fez por mim e por minha família.


- Tchau, mano véio, permaneça na energia divina...




manOsmar