sexta-feira, 6 de março de 2009

Expresso



Vivo.

Com quem?

Não sei.

Ando...

Caminhos tortos,

Minados.

Certezas?

Não há!

Verdades

São vãs.

Vou

Com a certeza do agora,

Sem pensar,

senão,

o medo invade.

Contraditória

Insana.

Ou tola,

Coberta de negro,

Dos pés a cabeça.

Escondo.

Cores de luto.

Disfarço.

Por fora,

me enfeito.

Por dentro,

me encaro.



Carmo Tavares









quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Haja saco!!!


Ela trabalha direto e direito até nos fins de semana, à exceção das folgas préviamente combinadas; não falta, é competente, responsável, organizada e bonita. Além desse universo, ela vive outros momentos, é mulher, mãe, amante, curte o lazer, seu lar, sorri para a vida, tem seus temores e, vez ou outra, ressente-se de algum mal-estar súbito, afinal, é um ser humano, mas...
A vida me faz acreditar que o consumidor brasileiro é um dos mais folgados e mal educados que existem - se não for "o mais" -, e me reporto principalmente àqueles que, de uma hora para a outra, ascenderam de classe social de forma assustadoramente rápida!!!
E ela sabe disso, mas tem de relevar uma série de situações desagradáveis, desaforos e constrangimentos impostos por alguns desses tais clientes. Horários de atendimento pré-combinados, planejamentos, telefonemas, agendamentos e, por incrível que pareça, sempre há aquele(a) que se dá o direito de "furar" todo esse esquema porque, acima de tudo, é um cliente - um semideus, onde seus direitos estão acima de tudo e de todos; é inquestionável e possui o dom de nos premiar com performáticos "xiliques" (quem nunca presenciou algo assim!?), dono de uma habilidade incomum em pisar a cabeça dos mais fracos.
Eta gente "beshta", não é mesmo!? Mas, infelizmente, esse "beautiful people" não tem jeito; são impulsivos e, dentro dessa explosão, querem (pensam) recuperar todo uma história e um tempo perdidos, mas que tudo já ficou para trás, perdeu-se e não tem retorno. Esquecem-se que "pedigrée" não se compra com grana fresca, cartões de crédito e toda essa parafernália capitalista. Esse tal "pedigrée" é uma questão de berço e evolução, só isso, e quem tem não faz questão alguma de exibi-lo, pois sua aura já é seu cartão de apresentação para o mundoque o cerca! Aff, fui!!!

(para Tatiana)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mergulho











É uma paixão inteira
corpo, pele, cada poro
gosto, cheiro...
Tudo junto - misturado-

O coração pulsa,
quente, transborda,
enquanto numa mesma comuhão,
desejos, intensões, palavras
se aglutinam.





Colados, unidos de tal forma,


chegam a tocar a essência.
Encontro de Deus-Deusa
a celebrar o amor divino


e também o animal.




Numa cavalgada louca
como estar em pelo
sobre um corcel alado
subindo ao céu para beijar a alma.



Descer novamente à terra,
uma velocidade incrível
mais rápido que a luz ,
com a sensação de vida e morte,
plena em êxtase...



O mundo pára
nada mais há,
se não esse momento
m á g i c o .



Uníssono contínuo
como motoperpépuo,
engrenagem perfeita e absoluta
explode em áis,
expandindo um grito preso
um clarão difuso e cego.

Coisa encantada,
diabólica e santa
como a procura
do fim e o impulso
do começo.



É como o parto,
o nascimento.
Digo é, por já ter sido,
tão forte e certo,
como o brilho de uma estrela
que, embora morta
p e r m a n e c e .
Carmo Tavares

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sétima arte






Penso num filme denso, singelo,

terno, comovente, tocante...


num filme sem início nem fim,


onde a sequência é justificada pelo impossível;


num filme onde a estrada trilhe


a contradição da coerência,


e a existência permeie sombra e luz,


conduzindo o foco à penumbra da dúvida.


Um filme onde o amor se contradiga


na indecência do sofrimento da alma,


e o mal ocupe um lugar comum


junto do bem - estranho equilíbrio!


Um filme onde a eternidade


seja justificada pelo agora;


que contenha a essência da natureza humana


amparada em sentimentos obscuros.


Penso em você como atriz principal


e coadjuvante da película noir desta vida...











terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O filho que Ela queria ter...




Domingo, 01 de Fevereiro, praia deliciosa do litoral sul, véspera do Dia de Iemanjá... É, fiquei muito contente pela oportunidade que me foi dada de estar por lá nesse dia abençoado; vela azul na mão, caminho em direção à imagem desse Orixá que tanto amo. E vou me preparando, numa oração silenciosa que mais é um pedir licença à minha mãe de cabeça, Iansã...

"Minha Mãe, a senhora sabe que sou teu filho, que muito te amo, mas também sei do ciúme que tem pela Senhora dos Mares - e sou culpado disso, eu sei! fazer o quê!? Eu sempre pensei que Ela era dona de minha cabeça , que engano o meu!"

Vento forte, muito forte, até parece que vem um vendaval... à medida que me aproximo cada vez mais, um medo infantil toma conta de mim...

"Epa Hei, Oiá,Epa Hei!n Sei que a Senhora está com muito ciúme de mim,mas onde tem ciúme significa que tem muito amor... Então, em nome desse amor por mim, me permita agradecer a energia de minha querida Iemanjá com esta vela, por favor! A Senhora sabe que no fundo, bem no fundinho da verdade, eu sou o filho que Ela gostaria de ter, não é mesmo!? Então, com Vossa licença..."

E não é que o vento vai amenizando e amenizando e amenizando até tornar-se brisa suave, como um dengo carinhoso!? Já bem próximo, faço um cumprimento respeitoso - "Odoiá, querida Senhora, Odoiá!" E percebo que ela dá um aceite muito sutilmente, e me sinto honrado com isso... Acendo a vela e faço uma oração singela e sincera, e lá deixo meu coração.

Na hora de voltar, olho pro mar e caminho até ele; quando estou com a água até a cintura, faço uma saudação com as mãos, um agradecimento à minha mãe Iansã...

"Epa Hei, Oía, minha Mãe, obrigado, viu!? Eu sei muito bem o amor que abunda de Vosso coração... Estou muito feliz e agradecido, viu!? Devo essa prá Senhora!"

Ééé, o amor se faz presente de diferentes formas...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sacudindo o bau...


Mais um ano que se foi e... oopppaaa, o novo já se vai, também, e com que rapidez! Entra ano, sai ano, parece tudo sempre igual, mas, dessa vez, a coisa foi feia, o bicho pegou e mordeu fundo! No dia 31 último realizei os funerais de 2008, despachando-o pro Inferno com passagem de ida, sem volta!

Um ano em que conseguí aprofundar-me no poço das contradições e das decepções - e quantas!

Um ano em que caíram as máscaras de pessoas a quem meu coração e minha amizade se abriu e, veja bem, sem interesses pessoais ou mesquinhos - só que elas desconheciam (e ainda desconhecem) uma grande virtude que é a imparcialidade, sabe, pois toda história sempre nos apresenta mais de uma versão, é extremamente pessoal, e aí é que está o perigo!

Um ano em que conseguí conhecer meu inferno pessoal... Foi difícil deixar as chamas da falange onde fui me esconder - mas, creiam, consegui, pois sou filho de Ogum e Iansã!

Um ano em que percebí que era muito frágil o solo em que caminhava - julgando-o sólido e resistente!

Um ano que percebí o quão importante é olhar firmemente os olhos de quem nos comunicamos - frente a frente, de forma transparente, um exercício duro!

Um ano de conclusões com relação a passado, presente e... futuro - futuro!? já me basta preocupar-me com o agora!

Um ano que me ensinou de forma contundente que não passo de um mero mortal perdido nessa imensa vaga humana - realmente, perdí a Síndrome de Super Homem!

Um ano que me fez enxergar determinadas coisas tão simples mas que, devido a venda que a vida colocou em meus olhos, perambulei por aí como um cego - na verdade não queria enxergar!

Um ano que me fez medir e pesar a força do Amor com "A" maiúsculo e com o coração aguilhoado e em pedaços - mas estou conseguindo uni-los todos, todinhos!

Um ano que me impeliu a ficar de quatro prá vida e engatinhar novamente, revendo e revendo e revendo valores pessoais - que mudança!

Um ano que me fez sentir a real importância de uma coisa chamada despreendimento... e dessa vez quero que seja total, prá tudo!

Um ano que me fez iniciar a faxina geral da alma - quanta sujeira!

Um ano que me fez entender a necessidade de sentir-me importante - não em termos materiais, pois tudo apodrece, mas com ações que justifiquem a evolução do meu espírito!

Um ano em que estou me permitindo reconhecer minha pequenês frente ao cosmo, ao Deus-Pai e à Deusa-Mãe, e deixar aflorar cada vez mais o Paganismo que sempre habitou dentro de mim - mas que, por falta de oportunidade, não o reconhecí há mais tempo!

Um ano em que se me avizinhou uma vontade enorme, imensa, de recomeçar tudo de novo - e isso dá uma sensação tão boa de força de explosão!

Um ano onde consegui ouvir uma voz bem lá dentro de meu coração gritando um brado de renascimento...
"Ogunhê, Patacuri Ogum, meu Pai" - "Epahei, Oiá, minha Mãe"!!!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Surpresaaa!!!




"Chove lá fora..."


Isso lembra uma música, década de 80, outras energias me possuindo; nada mudou... nada!? Mas tudo continua mudando e mudando e mudando... Tudo tão rápidamente que me pego levantando pelas manhãs e me assustando ao me olhar no espelho! Ééé, a alvenaria de minha alma está em franca mudança, franca decadência, e me pergunto até quando! Seria necessária uma reforma, nada urgente, apenas o básico, sabe, mas falta saco, um saco enoormeeee prá caber o tal material de construção; é pegar ou largar, mas me pergunto se vale a pena pegar, afinal, o mundo está apodrecendo e por quê eu seria o "ovelha negra" nesse processo? Só prá querer ser o diferente? Diferente em quê!?!?!? Sim, terceira idade, "sussa total", é só esperar e mergulhar fundo! Mas com cuidado prá não dar mal jeito na coluna cansada e dolorida... Ahhh, mas tem jeito, sim, e como! Uma cirurgia plástica corretiva, que tal? Ficar à pampa, circular por aí, "bonitin e jeitosin". Interessante, louvores mil à essa nova fase fake, com a maioria querendo fugir, cada um do seu jeito... Academia, natação, cremes miraculosos, cabelinho tingido, roupas transadas, leitura de auto-ajuda, milagres modernos! Importantíssimo é não deixar de pegar a tal fila diferenciada, sabe, nada como uma mordomiazinha vez ou outra, faz bem à alma. E a vida continua... O negócio é usar e abusar desse novo ciclo, pois a vida é curta demaissssss, então, "vamoquivamo", vai começar o Grande Baile!!! E vão começando a nos achar uma "gachinha", ahhhh, isso é verdade. Tem quem até irá querer nos adotar como vovô e vovó postiços. De repente, até nos confundirão com anjinhos do céu, esquecendo-se que "os canalhas também envelhecem" (essa não é minha, lí num dístico de caminhão há muitos anos e nunca mais fugiu de minha memória, mas que traduz uma grande verdade!). Tudo lindo, maravilhoso, quanta hipocrisia, tô fora! Hmmmm, fim dos tempos, que loucura, o que fazer então!? Procurar o "Caminho do Meio", nem tanto o Céu, nem tanto o Inferno; nem tanto o preto, nem tanto o branco... Isso, o importante é adquirir centramento! Assim,quando chegarmos à porta do Paraiso, São Pedro será menos intransigente para com nossa entrada! Ahhh, não, meia entrada, afinal fazemos jus a isso! E continua chovendo lá fora, até quando, hein!? Ahhh, sempre choveu e sempre choverá! Um aguaceiro a mais até que é bom, faz com que eu sente o bumbum com mais tempo e paciência e tente concentrar-me em algum assunto prá escrever... Alguém tem alguma idéia? Não!? Poxa, que chato, então o jeito é continuar por aqui, esperando a chuva parar, pensando e pensando e pensando em algo criativo. Enquanto isso, vou aproveitar e passar pomada para dor nas articulações dos braços, uiuiui... Fui!!!