sexta-feira, 13 de março de 2009

Rascunho


O que escrevo, nasce das entranhas...
são verdades tão minhas
como uma paixão avassaladora
que precisa ser exposta,
expressa, expulsa.
E é tão necessário
que exige que eu busque,
avidamente, por um lápis
e papel e, assim,
derramando cada palavra,
possa lavar minha alma
e fazer vibrar meu coração.

Não escrevo poque devo,
mas porque preciso;
como preciso de ar e água
como desejo amar inteira,
com fome e ardendo em febre
e o beijo é o remédio,
se não o beijo, a palavra
que, desaguando em versos,
culmina num suspiro.

Carmo Tavares

segunda-feira, 9 de março de 2009

E por falar em escrever...




Pois, sim, já faz um bom tempo desde minha última postagem, mas, cá prá nós, isso importa? De repente, escrever por escrever, encher linguiça por encher, tanto faz, não é mesmo!? Muitas vezes não bate uma vontade daquelas de botar coisas no papel que assustariam até o próprio diabo!? Pois é, temos de ser "cidadãos moderados", então tá!!!


Na verdade, estou muito feliz por ter tido uma vez mais a oportunidade de deleitar meus olhos e minha alma lendo Ferreira Goulart - alguém o conhece? Além de poeta sensibilíssimo, é um crítico de arte com 79 anos e dono de uma lucidez incomum. Se for prá ficar velho assim, com esse naipe, já quero entrar na fila das encomendas!


Dentro dos moldes de meu ceticismo, foi maravilhoso ter lido uma recente entrevista do poeta que me brindou com frases bombásticas que farão meu racional e meu espírito elocubrarem o resto de minha vida, tais como - "gostaria de acreditar que Ele (Deus) existe, mas não acredito, uma pena. Os homens anseiam uma condição sublime, e não foi à toa que O inventaram, ou seja, para que Ele os criasse! Se pensarmos direito, perceberemos que todas as coisas abstratas e concretas que a humanidade constrói tem a condição de dar significado á vida e, não raro, um significado especial..."


Poxa vida, pensando bem, em Goulart sendo um cético e eu também, jogamos num mesmo time quanto à figura divina. Porém, o que difere em nós dois é exatamente o fato de ele acreditar no fim único de tudo e de todos, sendo a morte a consumadora e executora disso, ao passo que eu consigo conceber uma energia divina articuladora de "n" energias cósmicas responsáveis por toda essa salada infinita... Já imaginaram se o tal Deus, onisciente e plenipotente, fosse realmente julgar a todos nós no propalado e temido Dia do Juizo Final!? Um corpo de réus considerável e, ao mesmo tempo, inconcebível, se Ele começasse a chamar um por um, desde Adão e seu "caro pedaço" Eva... e, pior ainda, levando-se em consideração que os humanos têm a prepotência e o atrevimento de propalarem aos quatro ventos que foram feitos "à semelhança do Pai"... ai,ai, ai, aí é que reside o perigo, pois quero crer que tal tribunal não passaria imune aos olhares sedutores da corrupção humana! Retornando à tal energia divina, e crente no que podemos chamar de "livre arbítrio", sinto determinadas coisas passarem por mim de forma mais amena, sem a contundência e o peso que as mesmas acarretavam em meu emocional e em meu coração há anos atrás! Tudo fica mais simples, tudo fica mais claro e coerente, portanto, temos de evoluir, seja no plano espiritual ou no plano material, mas temos de evoluir, e quem não evoluir, ficará prá tras nesta selva humana e logo, logo, irá para outros mundos vibracionais inferiores fazer companhia a outros(as) figurinhas teimosas que não souberam aproveitar a dica, certo!?


E quando o poeta fala sobre o capitalismo!? - "Como a natureza, o capitalismo é invencível! É feroz, cruel, brutal, é amoral, e se alimenta de crises! Não demonstra piedade por nada e por ninguém..."


Sniff, sniff, frustrado fico e ficarei, pois uma nesga de expectativa positiva quanto ao fim do sistema capitalita sempre inflamou e alimentou minhas esperanças de cidadão, principalmente num momento como este em que diversas profecias cósmicas pretendem justificar esse tão esperado "gran finalle"... quem sabe eu ainda poderia estar vivo para aplaudir de pé (de pé!?) uma coisa assim tão fenomenal! Mas, sabe, parei prá pensar nas suas palavras e cheguei à conclusão que esse tal capitalismo é algo que realmente se desenvolve espontâneamente (como a própria natureza) e, como ele deixa bem claro, alimenta uma tênue ilusão milionária na mente de milhões/bilhões de pessoas para, de repente, promover a ascenção de um novo Bill Gates e, assim, justificar uma vez mais que só não aproveita a oportunidade quem realmente não quer!!!


Já que o capitalismo continuará com toda sua força, só me resta tentar chegar à conclusão de como esse sistema sobreviverá, haja visto que está firmado, confirmado e coroado em meios de produção e lucro que, por sí só, fazem parte de uma teia de interesses mesquinhos arquitetados por mentes que não quererão abrir mão das polpudas fatias lucrativas que os diferentes segmentos do mercado abraçam, tais como moda, estética, literatura barata e fútil engajada em conceitos seculares, a própria medicina interesseira, os laboratórios, a indústria automobilística, tudo isso e mais, engajado em falso códigos de ética e conceitos maniqueístas religiosos que, direta ou indiretamente, acabam apoiando isso tudo, afinal, "a vida é eterna, o paraíso te espera"!!!Pois é, então também quero uma passagem prá esse tal Paraíso, vocês não querem!?!?!?


Então, só me resta parar por aqui e ir-me embora prá casa em estado de extrema frustração! Mas, como não há uma só medida prá tudo, tenho o consolo de saber e sentir que essa energia a quem chamam de Deus - e que está presente em tudo e em todos - também está presente nessa figura incrível que é Ferreira Goulart e, mesmo com essa tênue linha divisória que separa nossos pontos de vista, a esperança e a fé são duas características que permeiam a ele e a mim... ainda bem que temos algo em comum!


Fui...



sexta-feira, 6 de março de 2009

Expresso



Vivo.

Com quem?

Não sei.

Ando...

Caminhos tortos,

Minados.

Certezas?

Não há!

Verdades

São vãs.

Vou

Com a certeza do agora,

Sem pensar,

senão,

o medo invade.

Contraditória

Insana.

Ou tola,

Coberta de negro,

Dos pés a cabeça.

Escondo.

Cores de luto.

Disfarço.

Por fora,

me enfeito.

Por dentro,

me encaro.



Carmo Tavares









quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Haja saco!!!


Ela trabalha direto e direito até nos fins de semana, à exceção das folgas préviamente combinadas; não falta, é competente, responsável, organizada e bonita. Além desse universo, ela vive outros momentos, é mulher, mãe, amante, curte o lazer, seu lar, sorri para a vida, tem seus temores e, vez ou outra, ressente-se de algum mal-estar súbito, afinal, é um ser humano, mas...
A vida me faz acreditar que o consumidor brasileiro é um dos mais folgados e mal educados que existem - se não for "o mais" -, e me reporto principalmente àqueles que, de uma hora para a outra, ascenderam de classe social de forma assustadoramente rápida!!!
E ela sabe disso, mas tem de relevar uma série de situações desagradáveis, desaforos e constrangimentos impostos por alguns desses tais clientes. Horários de atendimento pré-combinados, planejamentos, telefonemas, agendamentos e, por incrível que pareça, sempre há aquele(a) que se dá o direito de "furar" todo esse esquema porque, acima de tudo, é um cliente - um semideus, onde seus direitos estão acima de tudo e de todos; é inquestionável e possui o dom de nos premiar com performáticos "xiliques" (quem nunca presenciou algo assim!?), dono de uma habilidade incomum em pisar a cabeça dos mais fracos.
Eta gente "beshta", não é mesmo!? Mas, infelizmente, esse "beautiful people" não tem jeito; são impulsivos e, dentro dessa explosão, querem (pensam) recuperar todo uma história e um tempo perdidos, mas que tudo já ficou para trás, perdeu-se e não tem retorno. Esquecem-se que "pedigrée" não se compra com grana fresca, cartões de crédito e toda essa parafernália capitalista. Esse tal "pedigrée" é uma questão de berço e evolução, só isso, e quem tem não faz questão alguma de exibi-lo, pois sua aura já é seu cartão de apresentação para o mundoque o cerca! Aff, fui!!!

(para Tatiana)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mergulho











É uma paixão inteira
corpo, pele, cada poro
gosto, cheiro...
Tudo junto - misturado-

O coração pulsa,
quente, transborda,
enquanto numa mesma comuhão,
desejos, intensões, palavras
se aglutinam.





Colados, unidos de tal forma,


chegam a tocar a essência.
Encontro de Deus-Deusa
a celebrar o amor divino


e também o animal.




Numa cavalgada louca
como estar em pelo
sobre um corcel alado
subindo ao céu para beijar a alma.



Descer novamente à terra,
uma velocidade incrível
mais rápido que a luz ,
com a sensação de vida e morte,
plena em êxtase...



O mundo pára
nada mais há,
se não esse momento
m á g i c o .



Uníssono contínuo
como motoperpépuo,
engrenagem perfeita e absoluta
explode em áis,
expandindo um grito preso
um clarão difuso e cego.

Coisa encantada,
diabólica e santa
como a procura
do fim e o impulso
do começo.



É como o parto,
o nascimento.
Digo é, por já ter sido,
tão forte e certo,
como o brilho de uma estrela
que, embora morta
p e r m a n e c e .
Carmo Tavares

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sétima arte






Penso num filme denso, singelo,

terno, comovente, tocante...


num filme sem início nem fim,


onde a sequência é justificada pelo impossível;


num filme onde a estrada trilhe


a contradição da coerência,


e a existência permeie sombra e luz,


conduzindo o foco à penumbra da dúvida.


Um filme onde o amor se contradiga


na indecência do sofrimento da alma,


e o mal ocupe um lugar comum


junto do bem - estranho equilíbrio!


Um filme onde a eternidade


seja justificada pelo agora;


que contenha a essência da natureza humana


amparada em sentimentos obscuros.


Penso em você como atriz principal


e coadjuvante da película noir desta vida...











terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O filho que Ela queria ter...




Domingo, 01 de Fevereiro, praia deliciosa do litoral sul, véspera do Dia de Iemanjá... É, fiquei muito contente pela oportunidade que me foi dada de estar por lá nesse dia abençoado; vela azul na mão, caminho em direção à imagem desse Orixá que tanto amo. E vou me preparando, numa oração silenciosa que mais é um pedir licença à minha mãe de cabeça, Iansã...

"Minha Mãe, a senhora sabe que sou teu filho, que muito te amo, mas também sei do ciúme que tem pela Senhora dos Mares - e sou culpado disso, eu sei! fazer o quê!? Eu sempre pensei que Ela era dona de minha cabeça , que engano o meu!"

Vento forte, muito forte, até parece que vem um vendaval... à medida que me aproximo cada vez mais, um medo infantil toma conta de mim...

"Epa Hei, Oiá,Epa Hei!n Sei que a Senhora está com muito ciúme de mim,mas onde tem ciúme significa que tem muito amor... Então, em nome desse amor por mim, me permita agradecer a energia de minha querida Iemanjá com esta vela, por favor! A Senhora sabe que no fundo, bem no fundinho da verdade, eu sou o filho que Ela gostaria de ter, não é mesmo!? Então, com Vossa licença..."

E não é que o vento vai amenizando e amenizando e amenizando até tornar-se brisa suave, como um dengo carinhoso!? Já bem próximo, faço um cumprimento respeitoso - "Odoiá, querida Senhora, Odoiá!" E percebo que ela dá um aceite muito sutilmente, e me sinto honrado com isso... Acendo a vela e faço uma oração singela e sincera, e lá deixo meu coração.

Na hora de voltar, olho pro mar e caminho até ele; quando estou com a água até a cintura, faço uma saudação com as mãos, um agradecimento à minha mãe Iansã...

"Epa Hei, Oía, minha Mãe, obrigado, viu!? Eu sei muito bem o amor que abunda de Vosso coração... Estou muito feliz e agradecido, viu!? Devo essa prá Senhora!"

Ééé, o amor se faz presente de diferentes formas...