sábado, 27 de abril de 2013



MEU BRASIL BRASILEIRO

É interessante (interessante!?) como nossa imprensa, apoiada pela mídia formadora de opinião, trata determinados assuntos pertinentes ao Brasil - a gente assiste alguns desses programas medíocres que apresentam de tudo um pouco e que na verdade pretendem apenas passar para a imensa massa manipulada que TUDO neste país está dando certo e acontecendo às mil maravilhas -TUDO! - como se a "síndrome da panela de pressão" não estivesse aí, escancarada e ceifando vidas inocentes através de mãos de pessoas que nada mais são do que o mísero e doentio suprassumo que este nosso sistema social está alimentando e permitindo proliferar a uma velocidade assustadora e avassaladora!
Se o nosso desenvolvimento social acontecesse na razão direta dessa velocidade que acabei de citar, ao menos alguma coisa importante estaria acontecendo por aqui - alguma coisa ao menos!
Porém, infelizmente, nosso processo histórico vem demonstrando exatamente o contrário daquilo que essas débeis apologias, forjadas por mentes sórdidas, pretendem nos mostrar, controlando, como sempre, a tudo e a todos.
Paralelamente a isso, existe o legado em nosso país de uma "onda" de religiosos enfronhados nos meios políticos - os mesmos que ousam afirmar que Deus é o único caminho para interferir e/ou mudar essa série de hecatombes sociais que nos cercam - mas que se esquecem de reconhecer e pôr em prática um preceito importantíssimo, ou seja, que esse mesmo deus, falado e propalado com tamanha grandiloquência, não deixou caminhos (caminhos esses criados pelo próprio ser humano) e que, também, esse mesmo deus brilha e vibra em intensidades diferentes, variando de pessoa para pessoa, porque cada um de nós está regido pelo seu próprio grau de evolução - mas isso, certamente, dá margem a outras tantas e infrutíferas discussões que nada tem a ver com este meu desabafo!  
Vergonha alheia é o mínimo que me permito (e tenho o direito de) sentir - o mínimo que justifique meu caráter! E falo isso como brasileiro, filho desta minha pátria mãe tão gentil...   

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Só prá deixar registrado...

A sociedade organizada é uma coisa extremamente estranha e incoerente; seus tentáculos pró-forma acabam incorrendo num erro - por vezes imperdoável! É a tal história do "a primeira vez...", coisas que a gente escuta, sente, pensa e repensa, mas acabamos norteados para o estigma dessa tal primeira vez!



A pessoa, um cidadão qualquer, passa práticamente toda sua vida agindo, interagindo, comportando-se, muitas vezes mutilando-se, dentro de padrões que a própria sociedade considera como "normais". Em determinado momento, por motivos dos mais diversos e nomináveis possíveis, ela acaba transgredindo normas... - Ohhhh, meu Deus, o que foi que ela fez!? Como assim!? Juro que eu nunca imaginaria ela fazendo isso! - e por aí vão os vários tipos de comentários - por vezes, desumanos - de nós, humanos!



Isso é algo que tem me incomodado muito, conseguindo alterar em demasia meu estado de espírito e humor, principalmente quando começo a pensar no tipo de sociedade em que vivo e, pior, sou obrigado a conviver...



Coisas assim - os malditos estereótipos - comprovam, e muito, que as pessoas não são dadas a perdoar de coração, a virar os olhos e a bloquear a mente a fatos negativos do passado de alguém; infelizmente, esse alguém estará fadado a carregar esse fardo para o resto de sua vida, independentemente do grau de culpa que tenha atingido para com determinado gênero de erro! As pessoas adoram 'marcar' as outras como um gado marcado a ferro e fogo; adoram agrupar-se com as que julgam do mesmo naipe e comentar sobre os erros dos outros, esquecendo-se que também são suscetíveis a errar... Parece até que são possuídas por uma onda de sadismo - Ahhh, como é doce cutucar o outro com vara longa; como é deliciosa a vingança através das palavras...!



E por aí vai... Desde pequenos fatos corriqueiros no dia-a-dia até casos horríveis e complicados, como isso mexe com a língua ferina das pessoas! E aí vem os falso-moralistas com o papo de sempre. - antigamente, sim, antigamente não acontecia tudo o que a gente vê acontecendo por aí, uma sem-vergonhice, cadê o respeito!? E essas pessoas, que pelo jeito são do tipo que cresce, envelhece e morre se masturbando às escondidas no banheiro com o amparo de revistas pornográficas baratas, essas pessoas não levam em consideração que a população do planeta tem crescido assustadoramente - tanto o bem como o mal reinam em proporções maiores e tendem a aumentar naturalmente...



Aí, de repente, acabam condenando a personalidade e o caráter de um certo alguém qualquer pelo simples deslize que, numa fração de tempo, acaba desmantelando toda uma vida, todo um castelo. E às vezes o que se considerou um erro acabou sendo uma mera e falsa interpretação, pior ainda. Aí, sim, dá vontade de desconsiderar tudo o que se tem guardado por dentro e mandar o mundo às favas - já que é assim, agora vou fazer de própósito - o mundo que se dane!!! Essa é a vontade que eu sentiria frente a um despropósito assim... E não tenho vergonha de dizer isso! Trata-se de transparência, só isso! E minha intenção em deixar clara e aberta minha aversão e ojeriza para com essas coisas que fazem parte do cotidiano de nossa sociedade organizada... Baahhh, que nojo!!! Fui...







Osmar

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quem tem medo da Morte?





Dias atrás, estava filosofando com minha esposa até altas horas da madrugada, como sempre. E entre caretas e exclamações, acabamos fechando um papo que me deixou mais pensativo ainda sobre a vida... 
Note bem, este meu estado pensativo pode ser chamado, também, de "botão vermelho", pois abre caminho - e rapidamente - para um outro estado de estar que me é peculiar, podendo ser até confundido com tristeza, melancolia, depressão, negativismo, enfim, uma verdadeira salada mista da personalidade.
Tem uma porrada de gente por ai que vive seu cotidiano de um jeito que até chega a dar inveja - pra esse tipo de pessoa, a vida é linda, tudo é belo, o ser humano é a essência da criação divina, o mundo caminha sempre para melhor, sim, e por ai afora... Ótimo!
Olhando a vida lá trás e tentando olhá-la bem lá na frente, percebi que viver neste mundo é por demais difícil e pesado, por vezes insustentável - muito embora a minha balança pessoal consiga pesar mais para o lado das coisas boas do que o contrário, graças ao cosmo.
Nascemos e crescemos num mundo onde nos são jogados falsos valores, um tititi de histórias com finais belos e felizes para, depois, em plena adolescência, sermos jogados meio que na porrada à porta do estranho mundo dos adultos, ou seja, de repente, sem mais nem menos, somos impelidos a adentrar um mundo bastante diferente daquele que sonhávamos (ao menos, quem já sonhou...).
De repente, um tempinho a mais, já somos cidadãos adultos e numerados pelo sistema que nunca mais vai esquecer de nós.
E como dizia, nascemos, crescemos e vivemos num mundo que em momento algum esconde que nossa única certeza na vida é a morte... alguém já parou pra pensar no peso que isso significa para a existência dos indivíduos? Não é pra qualquer um, não! Passar toda uma vida e concluir que na hora exata da transição de nosso mundo físico para o mundo espiritual (entenda, sou espiritualista, certo!?) nada daquilo que sonhamos, almejamos, lutamos por conseguir irá conosco... nada, a não ser o aprendizado!
E não é à toa que as pessoas acabam andando em círculos, procurando por caminhos que, ironicamente, acabam não convencendo, vão e voltam, sobem e descem, chutam o pau do barraco, consomem - consomem muito!!! - e nunca estão satisfeitas consigo mesmas e/ou com a vida que levam, nunca! 
E essa insatisfação (tristeza, melancolia, depressão, porraloquice...) acontece e se acentua exatamente naqueles momentos onde, em meio a todas essas andanças e corre-corres que a vida proporciona (ou seria uma tentativa de camuflar o insondável?), cai a ficha de que o caminho não tem volta, um verdadeiro ponto de interrogação constante ou, conforme escreveu Charles Bukowsky, um escritor que adoro e admiro, viver não é fácil e a certeza da morte é mera matemática, pois todos nós, cedo ou tarde, iremos morrer... o grande problema é a 'espera'.
Reclamar da vida leva a nada, realmente, mas ter os pés no chão e a cabeça voltada para questionamentos é muito importante. Eu penso que a maior parte das pessoas são intencionalmente levadas a se preocuparem apenas com futilidades, depositando suas esperanças nas mãos de um criador que nada tem a ver com isso tudo, seja de bom ou de ruim, e tenho certeza de que isso é uma trama planejada, pensada e, confesso, acabo tendo medo disso tudo que me cerca e fujo ou, ao menos, tento fugir.
Juro que tenho medo disso tudo que cresce ao meu redor, um monstro amorfo que se desenvolve de forma assustadora na proporção direta em que a mediocridade está crescendo neste mundo de Deus...
Por isso e por outras coisas mais, deixei de me achar diferente em meio a esse mar de alegria e felicidades que inunda as pessoas, pois sei que praticamente tudo é fachada, máscaras sobre máscaras que cedo ou tarde hão de cair. Como sempre digo, 'a vida é extremamente simples, o Criador assim o quis, mas, infelizmente, não deu certo; as pessoas, as sociedades dito organizadas é que a tornaram (mais) penosa, só isso!  





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domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz 2012.




Bom dia (ou boa tarde, tanto faz, ainda é claro...), conseguiu acordar? Dor no corpo? Cabeça pesadaça? Hmmm, isso é sinal de ressaca! Mas ainda é domingo, e domingo pede o quê!? Cachimbo, lógico! Mas, não tem cachimbo, não! Então, que tal uns dois "engov" ou um cházinho básico de boldo? Ahhh, losna é melhor, né!? O tiro é mais certeiro! Sem apetite? Não consegue pensar em comida? É... amanhã é segundona cheia, né!? Não está de férias? Então, ferrou! Relaxe e goze (ou, ao menos, tente gozar)... banhão frio, roupa doméstica, isso mesmo, permita-se, vai ficar bem melhor... Pois é, amanhã é segundona, né!? O cheque especial vai estourar? Ligue, não, o gerente do banco sempre dá um jeitinho, ele é bonzinho, afinal, feliz 2012, não é mesmo!? Eita, tem mais ainda, tem o IPTU, o IPVA, o DPVAT, o cartão de crédito, a matrícula e o material da(s) criança(s) - quem manda não colocar o(s) filho(s) em escolas públicas, hein!? Quem mandou!? Ligue, não, volto a dizer, práticamente o mundo todo está assim, desse jeitinho, não é só você, não! (suspiro) Se não der pra pagar tudo isso à vista, o negócio é parcelar, e não esqueça nunca, o gerente do banco é bonzinho, vai até te oferecer um cafézinho por conta do banco. Por isso, amanhã, não esqueça de ligar pra ele e desejar um 2012 du kct! É, do cacete mesmo, assim a coisa engrossa de vez, vai ficar tudo mais comprimido e ajeitado... Ah, desculpe, é a dor de cabeça, né!? Tome uma "dipirona", vai ajudar ainda mais... isso, pronto, com água e pronto! Curta o dia, ainda é domingão, dá pra assistir o Faustão na televisão, tudo rimandão! É, ele, como uma porrada de gente, também é um cara muito legal, vai te desejar um baita 2012 daquele, vai ver só - e você vai se achar importante! "Porra, meu, o Faustão me cumprimentou pela TV, que coisa!" E depois tem o "restaux d'onthé" básico, de leve, só na base da coca ou, melhor, com uma toniquinha. Viu só, o muindo não é de tudo ruim, não! Dá-se um jeitinho pra tudo, concorda? Isso mesmo, em tudo se dá um "jeitinho", tudo... menos na morte, isso não tem jeito mesmo! Depois!? Ah, depois é ir pro quarto de mansinho, com cara de desavisado e... relaxar... esperar o soninho chegar e... PIMBA!... despertador gralhando nos ouvidos às seis da matina e... pronto!... FELIZ 2012! E não esqueça de que "hoje, é um novo dia, de um novo tempo que começou neste nosso dia, e as alegrias..." (continue cantando) e... pronto! Com essa musiquinha de ninar na cabeça, ele (o soninho) vai chegar manso, mansinho e... grrooonnnnccccc!!!!!!

FELIZ ANO NOVO PRA TODOS, AFINAL, A GENTE MERECE!!!!!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"N" ou "F"?



Legal, com saúde não se brinca mesmo, só que sempre fui relaxado comigo, sempre, como se quisesse provar para mim mesmo uma pretensa e falsa imortalidade - só que de anos para cá, venho caindo na real, como se minha alma pretendesse mostrar exatamente o contrário ao meu corpo!

Ir a um médico, para mim, é uma espécie de tormento, pois acredito numa lei que me diz (e garante) que quem procura, acha! E como pertenço ao seleto clube dos humanos, também não me considero perfeito. Por este e por outros motivos, quando o "bicho pega" procuro por um profissional juramentado - e não precisa estar de branco, não, pois não sou preconceituoso!

Este preâmbulo serve apenas para provar a mim mesmo que a medida do ser humano é o próprio erro - de onde se depreende que é errando que se aprende, certo? E a vida tem me provado que é prudente confrontar diagnósticos clínicos, sempre!

No dia 23 de agosto sofri um traumatismo numa estação de Metro (história longa que carece ser abreviada) e isso me custou um ferimento profundo na parte frontal mediana da perna esquerda que, à principio, pensei poder tratar com cuidados domésticos, até chegar à conclusão de que estava infeccionado e me causando fortes dores na região.

É lógico que fui ao médico. Receitou-me tomar um antibiótico durante dez dias, sendo que nesse período eu deveria procurar lavar o ferimento com água e sabão e deixar sem curativo o maior tempo possível.

Realizei o tratamento com responsabilidade, muito embora a ferida não tivesse cicatrizado ainda, mas pensava que fosse uma questão de tempo... Tempo de procurar outro médico, porque a vermelhidão e o pus voltaram a marcar seu território, como que sentindo saudades de minha perna.

O profissional chegou a me deixar assustado, dizendo que isso poderia transformar-se numa erisipela, e eu poderia, com isso, ganhar um pesadelo para o resto de minha vida - vade retro! E voltei a tomar antibiótico, outro tipo mais forte e com um leque de indicações mais amplo, aconselhando-me a fazer compressas de água e sal para amolecer a casca do ferimento e permitir uma cicatrização melhor de dentro para fora.

Logo na primeira noite, fiz essa aplicação de algodão com água e sal durante um tempo que foi suficiente para sentir a tal casca amolecer e sair... Só que no lugar, ficou um buraco enorme, com um aspecto nada bom. Isso, aliado à forte dor que iniciou, fez com que eu me preocupasse em fazer um curativo, não deixando a ferida exposta durante a noite de sono até ir novamente ao pronto socorro para buscar uma opinião sobre como e o que usar no curativo. Utilizei uma pomada que estava em meu estojo de primeiros socorros, a conhecida "N" e, no dia seguinte, fui à procura da opinião de outro médico que, de forma tácita, me repreendeu por ter feito a compressa com água e sal e, também, por ter passado a pomada, tecendo uma série de argumentos técnicos e, ao mesmo tempo negativos sobre isso, convencendo-me a somente lavar a ferida com água e sabão e continuar tomando o antibiótico. Em seguida, preencheu uma folha com prescrições para um curativo e o entregou a uma enfermeira que, gentilmente, me encaminhou a uma pequena sala para fazer um novo curativo.

Depois de realizar uma boa assepsia no machucado, ela pegou de um tubo de pomada para completar o curativo, mas adivinhe qual era a pomada? - Sim, exatamente, "N"! De imediato, eu questionei o procedimento, dizendo-lhe o que o médico havia me explicado sobre isso...

Em meio à dúvida, a mulher foi procurá-lo, mas ele havia saído, e isso fez com que ela retornasse com um outro médico que, depois de examinar minha perna, aconselhou-a a aplicar, sim, o unguento por mim contestado. Mas, usando de meu bom senso, disse-lhe o que seu colega havia orientado há poucos instantes atrás... e quem ficou na dúvida em relação à dúvida foi este que, meio contrariado, disse à cuidadora que só utilizasse uma gaze e esparadrapo no curativo.

Bem, acabei de retornar do litoral, onde tive a chance de tomar quatro maravilhosos banhos de mar e, acreditem, a ferida está bem melhor, bem melhor mesmo. E resolvi contrariar a tudo e a todos utilizando o bom senso de minha mulher, que me aconselhou a utllizar em meus curativos uma pomada chamada "F" - famosa por seu efeito regenerador e cicatrizante. Está indo tudo bem, e tenho certeza que em breve estarei curado, mas, cá entre nós, com todo o respeito por Hipócrates, o bom senso e a precaução devem se fazer presentes em situações como esta. Estou errado?



"O maior e o mais velho amor, é o amor pela vida". (Plutarco)




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mancha.







Neste domingo, enterrei no fundo do meu quintal uma gata que marcou sua presença por no mínimo vinte e três anos; era preta e branca e se chamava Mancha, graças a uma marca escura que tinha no lado esquerdo do seu lábio superior, e que viveu a maior parte de sua vida de um jeito diferente, fora de casa, pelos muros e telhados; sempre que percebia nossa aproximação ao voltarmos para casa depois de um período de ausência, vinha ao nosso encontro, recebendo-nos e acompanhando-nos entre meneios e brincadeiras por cima dos telhados das garagens da rua até que chegássemos à nossa casa; por mais que tivéssemos tentado colocá-la para dentro, dando-lhe um lar, nunca conseguimos essa proeza - a não ser de uns dois anos para cá - e mesmo assim, por vontade dela, como que nos intimando com um sonoro cheguei para ficar! E ficou mesmo porque, daí em diante, instalou-se de tal forma que só saía para tomar o seu solzinho.



Seguindo a lógica da tabela de correspondência de idades entre felinos e humanos, ouso afirmar que a vovó (como a chamávamos) partiu para o outro plano com aproximadamente cento e dois anos de existência - é muito tempo nas costas, ou melhor, no dorso!



Seu final de vida foi marcado por uma total surdez que, por sua vez, era compensada por um olfato refinadíssimo; como passou práticamente 9/10 de sua existência meio que longe de pessoas, não desenvolveu uma sociabilidade plena, era meio que selvagem e quando se permitia estar conosco (em suas raras visitas), aplicava-nos uns afagos meio que grotescos, espalhafatosos e desengonçados, sem controle, e foi somente depois de sua constante presença conosco que conseguiu, lentamente, uma melhor performance para com suas emoções.



E foi nesse curto espaço de tempo que essa gata coroou sua existência, demonstrando um amor incondicional inquestionável, livre de qualquer interesse mesquinho e/ou interesseiro; simplesmente, ela nos amava e, sendo assim, amou-nos até seu último suspiro - que se deu tão harmoniosamente, que faria inveja a qualquer pessoa que ainda não estivesse convencida da brevidade de sua passagem por aqui...



Vez ou outra, escuto algumas pessoas proclamando um "mande amor incondicional para esta ou aquela pessoa" como se fosse a coisa mais fácil de se fazer! Com o passar do tempo, acabei concluindo que a energia do amor incondicional foi dada a pouquíssimas almas evoluídas que por aqui passaram - Cristo, Buda, São Francisco, entre outras, que o digam...



Os animais irracionais amam e se dedicam aos seus donos desprovidos de toda e qualquer relação interesseira e/ou mesquinha; não roubam, não estupram, não traem, não matam e, também, não esperam pelo retorno desse amor abnegado - ao contrário, só contribuem para que as pessoas consigam perceber isso (quando percebem) através da leveza de uma troca no dia a dia, o que acaba sendo uma dádiva a quem deles toma conta e cuida, e isso, talvez, lhes permita uma reflexão maior e melhor sobre esse processo de troca de carinho e, vez ou outra, faça com que uns e outros consigam rever sua conduta numa espécie de autoavaliação, como se a evolução pessoal acontecesse em doses homeopáticas, eu diria.



Fico impressionado como essa gatinha marcou seu território em nosso lar e, consequentemente, em nossas vidas - é como se ainda estivesse conosco, dando sinais de sua presença. Sinto-me feliz por ter compartilhado momentos de amor e carinho com nossa Mancha, sabedor da reciprocidade descompromissada que existiu nessa relação...



Seria extremamente gratificante e perfeito se todos nós, sem exceção, conseguíssemos fundamentar nossos atos cotidianos espelhados na grandeza ímpar dos animais, sem pretender, com isso, incorrer numa pieguice fora de hora - gratificante, por me dar a certeza de que as sementes deixadas pelo tão propalado Cristo, há mais de dois mil anos atrás, realmente vingaram e germinaram; perfeito, porque isso justificaria a prova cabal de sermos chamados filhos de Deus...



Seria - futuro do pretérito!



Obs.: Esta foto da Mancha foi tirada durante seu último ano de vida.








terça-feira, 19 de abril de 2011

Determinados fatos acabam salvando o dia...



Primeiro, no supermercado, eu me encaminho até duas pessoas para pedir uma informação...

- Bom dia, por favor, vocês sabem onde posso encontrar trigo para quibe? - Um deles tem uma camiseta com o design da Ferrero Rocher, e o outro, o uniforme do supermercado que, ao escutar seu celular tocando, ignorou completamente minha pergunta atendendo-o de imediato. O rapaz dos chocolates reparou na situação constrangedora e, meio sem jeito, procurou ajudar-me da melhor forma possível.

- O senhor pode me acompanhar? Acho que é por aqui... então... vejamos... acho que é... ahhh, não falei!? Olha só, trigo para quibe, certo???

Realmente, a solicitude e a simpatia desse jovem conseguiu amenizar a bronca com a qual olhei para o outro...

- Na boa, mas teu amigo realmente é meio "casca-grossa", hein? Nem ao menos um "um instante, por favor", ou algo parecido... se eu fosse um cara do mal, tranquilamente iria tentar prejudicar esse cara sem educação reclamando com a gerência! - E não é que o sr. Rocher teve mais jogo de cintura ainda!?

- Então, dotô, vai um ovo da Ferrero aí!? Tá chegando a Páscoa, tem as pessoas que o senhor gosta, né!? Chocolate do bom...

- Na verdade, faz tempo que a Páscoa nada significa pra mim, amigo, eu e a família não vamos atrás disso...

- Mas é um dia especial, vocês trocam presentes e coisa e tal...

- Tudo criado pela imaginação fértil de quem quer convencer milhões de pessoas a consumirem os tais óvos de Páscoa, certo? Presente a gente pode trocar a qualquer hora, quando der vontade, sem compromisso de merchandising.

- Ahhh, aí o senhor tá certo, sim! E no final de tudo, tem de ter dinheiro sobrando no bolso pra ir atrás de tudo que se inventa, né!?

- Exatamente! O que você acha de eu criar o "dia do Osmar"? A gente poderia inventar algumas coisas pro público consumir mais e mais, né!? Mas o beneficiado maior teria de ser eu...(risos)

- Ééé, pode crer, dotô, o senhor tem razão! Mas é dificil a gente sair dessa, né?

- Bastante, amigo, mas não impossível... eu já estou fora disso, graças a mim! (mais risos)

- Poxa, legal bater um papo com o senhor, obrigado pela atenção, viu!? Tudo de bom...

- Obrigado eu, valeu pela atenção!




Depois, na banca de jornal...

- Nossa, já está no número 4 a coleção "clique a clique"?

- Pois é, o senhor levou só o número 1, né?

Eu estava com pouca grana no bolso...

- Então, guarde os outros três pra mim, você sabe que eu venho buscar, certo?

- Eu sei, sim, pode deixar.Repentinamente, percebo que o preço dos outros exemplares não era mais igual ao do lançamento, R$9,90, mas, sim R$19,90!!!

- Pô, mas que sacanagem, os caras lançam a um preço, fazem a cabeça do consumidor e, depois, mostram o que estava escondido!!!

- É isso mesmo, eles fazem um tipo de "maquiagem" no produto pra depois mostrar a cara verdadeira!

- Ahhh, não gostei disso, é propaganda enganosa, não acha? Depois dessa, vou repensar se continuo a colecionar... que saco!

- Olha, sinceramente? Eu, se fosse o senhor, não colecionava, não! Olhe só (mostrando o índice dos volumes a serem publicados), este não é importante. Este aqui o senhor vai utilizar pra alguma coisa? E este outro, se quizer, eu sei ensinar o senhor como mexer com fotoshop... na boa!

- Ahhh, eu agradeço pela atenção, não é necessário isso, mas, cá entre nós, o que você acha disso?

- Sinceramente mesmo? Eles vão ficar com material encalhado e, depois, vão vender a preço de banana, sabe, tipo "leve dois, pague um"...

-Sério mesmo?

- Pode acreditar no que estou falando, eu conheço isso há muito tempo, tenho experiência! Mas, tô falando sério, se quizer, posso dar alguns toques pro senhor, algumas dicas, porque conheço um monte de coisas...

- Pô, amigo, eu te agradeço mesmo, sabe, e vou repensar nisso que acabou de me falar; tô achando que você tem razão, esse pessoal quer mesmo é enfiar os produtos na cara do consumidor! Olhe, se até amanhã não vier buscar, pode deixar de reservar pra mim, ok? Por enquanto, te agradeço mesmo, amigo, a gente volta a se falar, muito obrigado mesmo, até amanhã!

- Falô!

Às vezes, para o bom entendedor não é necessária palavra alguma! E voltei a ficar bem humorado...






quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Normopatia.

* Vale a pena ressaltar que por uma série de motivos não tenho andado por aqui... falta de vontade de escrever, muito embora não me faltem as tais idéias, paciência, corre-corre, enfim, coisas que fazem parte das vicissitudes de um mero humano como eu, mas faço questão de publicar este maravilhoso texto que acabei de ler há poucos instantes atrás... O assunto é mais sério do que podemos imaginar e, por incrível que pareça, combina muito, mas muito com certas coisas que se processam dentro de mim. Leiam com atenção e... reflitam!


Normopatia / pelo dr. Geraldo Mendes dos Santos *
Há claras evidências de que a sociedade moderna, em especial a brasileira, está padecendo de um triste e grave mal, o qual pode ser chamado de "Normopatia". Trata-se de uma letargia inexplicável, doentio imobilismo, cruel apatia, verdadeiro espasmo psíquico, onde tudo parece aceitável e normal, até mesmo as mais brutais degenerescências, as mais extravagantes aberrações, nefastas excrescências, as mais terríveis anomalias humanas.
Observa-se por toda parte um certo senso de indignação, descrença e perplexidade de todos frente à pobreza, violência, injustiça, corrupção, politicagem e outras mazelas sociais, entretanto nada de profundo se faz para reverter esta situação. Todos parecem vítimas silenciosas, por todos os lados impera o pacto da nulidade e da inoperância. Não mais correm manifestações arrojadas e empolgantes, movimentos populares entusiasmantes. Tem-se a impressão que a sociedade está atônita, inerte, engessada, tonta, semi-morta.
O egoismo é um sentimento crescente e as pessoas parecem estar perdendo o sentimento da compaixão e comunhão com o sentimento alheio, prostituição e exclusão, abate das florestas e dos cerrados e perda dos solos, com contaminação das águas, com a destruição do meio. A brutal violência, diáriamente estampada nos jornais, bate-papo na rua e nos programas de televisão e rádio quando muito despertam curiosidade, não mais espanto, nada de comiseração.
A Normopatia parece ser uma doença contagiosa, provocada principalmente pela insensatez e ganância embutidos nos programas econômicos, na alternância estonteante dos padrões tecnológicos e nas violentas modificações dos paradigmas éticos e morais.
Consequências mais imediatas e visíveis de seu quadro clínico são a falta de assistência aos necessitados, o terror das drogas, o empobrecimento dos assalariados e trabalhadores, a banalização da violência. Seu principal agente infeccioso é o capitalismo neo-liberal, destruidor da produção em pequena escala, gerador da concentração da riqueza nas mãos dos poucos espertalhões sem cara, nome ou endereço.
Os veículos de propagação desse mal são as lideranças políticas e seus apaniguados que traem o interesse do povo, vendem o patrimônio da nação e aderem cinicamente ao mercado internacional globalizante, insensível, selvagem e humilhante onde a ordem é tirar o máximo lucro, mesmo que à custa a degradação ambiental, a dor, a doença, a fome.
Neste sistema político, a tecnologia parece ser apanágio de modernidade e salvação coletiva, mas os consumidores se deparam constantemente com placebos em lugar de remédios, automóveis e instrumentos fabricados com a absoluta e baixíssima previsão de longevidade, além de montanhas de sucatas e lixos atômicos, alimentos inseguros e perigosos com o pomposo nome de transgênicos.
No universo virtual, as pessoas pouco produzem e descansam, pois como escravos, passam noites e dias debruçados em micros, navegando em busca de negócios, dados, notícias ou meras distrações. No mundo da economia, a ordem do dia é compra/venda, de preferência com o máximo de lucro! E também não importa o que se negocia, se supérfluos, drogas, venenos, órgãos humanos, orgias, promessas de beleza e sucesso, salvação da alma, levianas utopias!
Ciência do momento, além da informática é o marketing, que cria expectativa e necessidade, vende imagem de progresso, transforma assassino em vítima, bandido em mocinho, malfeitor em boa-gente. O noropata é normalmente acomodado, passivo, intransigente, orgulhoso, sem muita esperança, criatividade para nada; seu jargão predileto é aquele que diz "tá bom demais, se melhorar estraga!".
Ao mesmo tempo é uma criatura fraca, que se deixa levar fácilmente pelos apelos da mídia, pelas benesses dos privilégios, ações dos maus políticos, pelas tentações da gula, da rede e da cama.
Não é preciso ser médico, filósofo ou humanista para perceber que se faz necessária a aplicação de poderosos remédios e práticas para combater esse terrível mal que aflige a humanidade, sobretudo a sociedade capitalista - geradora de Babéis, Sodomas, Gomorras, Favelas... S.O.S.!

* dr. Geraldo Mendes dos Santos - pesquisador no Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática (CPBA).




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fehlleistung (ato falho).



Ele não parava de correr de um lado pro outro; um garoto cheio de energia e com muita vida pela frente (talvez uns dois anos de idade), mas já conseguia deixar a jovem mamãe de cabelos em pé!
- Pára quieto, Duuu, não vai pra fora da guia, os carros vão te pegar!!!!! - Vez ou outra, ele fazia que estava sériamente preocupado com as palavras dela. Num átimo intempestivo, dono de sí e todo cheio de querer, pegou a embalagem do suco arremessando-a na rua...
- Duuu, não é assim que faz; por causa disso é que acaba tendo enchente, sabia disso? Enchente... será que o pequeno sabia o peso dessa palavra? Pelo jeito, não, pois novamente arremessou a tal embalagem na rua...
- Duuuuuuu, você me deixa louca, pára com isso! Já não falei que sujeira no chão dá enchente????? Alma lavada, mais calma e gentil depois da bronca, ela apanhou o papelucho e o jogou no cercadinho de uma árvore... A intenção foi nobre, mas o ato, falho.

Fehlleistung!



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um viva à tecnologia!

Ando sempre avesso ao uso indevido e exacerbado que as pessoas fazem das facilidades que a tecnologia oferece - dificil de explicar, mas penso que a cada dia que passa, uma infinidade de "maravilhas" vão aparecendo e se mostrando às pessoas ávidas em consumir tudo como se fosse um prato cheio; tenho a impressão que elas acabam meio que escravas do consumismo barato e fútil, e enxergo isso com uma certa reserva e aversão.

Hoje, porém, aconteceu um fato interessante e que, ao mesmo tempo, me deixou um pouco mais à vontade em meio a esse meu estado de prontidão para com o novo.

Saí de casa apressado, minha meta era pagar um boleto bancário que vencia na data de hoje. Chegando ao banco, dirigí-me aos caixas eletrônicos e qual não foi minha surpresa e raiva ao perceber que deixara o tal boleto em minha escrivaninha... Depois de algumas cobras e lagartos soltados para comigo mesmo, lembrei-me que todo boleto tem um código de barras que, por sua vez, possue uma numeração, uma espécie de código, que define e resume tudas as informações visíveis que o mesmo contém. Ora viva, uma luz no fim do túnel...

Imediatamente, perguntei ao funcionário de plantão se haveria possibilidades de realizar o pagamento telefonando para minha residência e anotando os dados numéricos, ao que ele, muito gentilmente, me ensinou todo o processo e... Urraaa, deu certo! Consegui efetuar o pagamento depois de contatar com minha esposa através do celular... e isso salvou meu dia, pois o fato de ter de voltar até minha casa para apanhar o documento esquecido e retornar ao banco já havia me causado um verdadeiro transtorno, haja visto que havia, também, o fator tempo nisso tudo - saindo dali, eu iria direto a uma consulta médica.

Acho que foi a primeira vez que utilizei meu celular de forma tão coerente e, ao mesmo tempo, ansioso e feliz por um resultado que acabou acontecendo. Em pensamento, acabei dando um verdadeiro "viva" à tecnologia! Ao fazer uso de forma racional e procedente de um mero celular - representante infinitesimal do que o mundo pode me oferecer - acabei por não agredir a mim próprio com as luvas do consumismo selvagem e desnecessário, e isso me deixou feliz... viva!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mais música e sonho...



Certamente minha Sampa mudou muito - às vezes penso que para pior, mas acontecem certas coisas que acabam me deixando "nas nuvens"...

Metrô Vila Madalena - conheço essa região desde minha adolescência, nem existia essa estação de trem, mas o trânsito e o burburinho sempre foram intensos. Vou chegando perto da fila das vans que levam os passageiros à estação Cidade Universitária e, repentinamente, diviso dois jovens que deveriam ter no máximo uns vinte e um anos de idade. Vestidos com muita simplicidade e tendo à frente de ambos um chapéu jogado ao chão (haviam moedas dentro), cantavam uma melodia em inglês muito bonita - os dois cantavam a duas vozes, um tocava um violão simples, de cordas de aço e muito bem afinado, e o outro fazia a percussão numa espécie de pandeiro. O que importa mesmo é que aquele momento, para mim, foi bastante especial; esqueci de todo e qualquer pensamento adverso que estivesse cutucando minha mente e só me concentrei nos dois cantando aquela melodia deliciosa. Foi um prazer indizível, principalmente pelo fato de eu amar a música, mas, ao mesmo tempo, sentí-me um privilegiado, como se aquela melodia adentrasse minha alma, um presente dos ceus... e acho que foi mesmo, porque aqueles poucos instantes me permitiram ter a sensação que olhava para dois anjos imersos na música. Normalmente, fico meio impaciente aguardando na fila até que chegue minha vez de entrar no veículo, mas, hoje, pela primeira vez, torci para que demorasse um pouco mais, mas... não demorou, infelizmente! Meti a mão nos bolsos à procura de moedas e as deixei com o maior prazer dentro daquele chapéu que, na minha opinião, deveria estar repleto, transbordante, mas que na verdade não apresentava tais características, infelizmente. Em seguida, duas pessoas que estavam próximas a mim fizeram o mesmo, jogaram algum dinheiro lá dentro recebendo, de imediato, o agradecimento da dupla.

Segui meu destino, olhando e olhando até as figuras e o som desaparecerem por completo e tive a falsa sensação de estar num país diferente, socialmente desenvolvido, mas logo cai na real, o sonho foi-se tão rapidamente como a mim chegou... de imediato lembrei do triste fato ocorrido há pouco tempo atrás, creio que no dia 17 de novembro último, quando policiais da PM prenderam um guitarrista nas imediações da av. Paulista, comprometidos com ordens do prefeito Kassab. Eu me lembro muito bem disso, pois fiquei muito revoltado com esse fato - mais um que entra para o "Livro Negro da Arbitrariedade no Brasil"!
Momentaneamente, como já relatei acima, eu me sentí num país socialmente desenvolvido, com visão e normas voltadas para cidadãos; foi tão bom, tão gratificante ter-me permitido apreciar aqueles dois rapazes envoltos em sua arte na rua e em sua forma simples e bela de captar recursos próprios, mas... foi só por breves momentos, só isso! O sonho desfez-se rápidamente, enquanto a perua seguia seu destino, fazendo-me cair na real - o sonho transformou-se num pesadelo porque, numa fração de segundo, imaginei que aqueles dois moços poderiam ser meus filhos - e eu tenho dois filhos músicos! Um calafrio perspassou meu pescoço, pois percebi que o que havia imaginado não fôra nada surpreendentemente irreal, ao contrário, poderia ter acontecido com qualquer um - de repente, o nosso filho poderia ser o próximo! Meus filhos não utilizam essa fórmula para ganhar o pão de cada dia, não precisam disso, mas enxerguei naqueles músicos uma possibilidade, mesmo que remota, disso acontecer com eles e com outras pessoas mais... o mundo dá muitas voltas!
E senti vergonha alheia; senti uma pontada no coração ao lembrar de algumas fotos que uma amiga me enviou numa viagem à Europa, onde músicos próximo ao metrô acabam não só "enfeitando" o local, como, também, demonstrando que são respeitados pelo que fazem.

Aqui, a degradação social e a corrupção estão tão afloradas e enraizadas, tão em voga, que o povo já acabou se acostumando com barbaridades desse e de outros gêneros - a alta rotatividade dos fatos negativos acabou como que "vacinando" as pessoas para com as aberrações que se sucedem diáriamente, infelizmente! Políticos, pessoas corruptas ligadas às altas esferas, traficantes e toda uma rede afim acabam, normalmente, se dando bem por aqui - a prisão acaba sendo um mero substantivo em suas vidas, só isso! Sem querer, consegui ensergar-me naquela situação surreal, cercado de policiais, sendo algemado, meu instrumento jogado ao chão sem o menor respeito e tremi... tremi de medo e, também, de raiva por tudo que se passou em minha mente naqueles instantes, e sei que o que senti não foi algo ligado a um sonho, não, mas, sim, a um pesadelo...

E me pergunto até quando esses e outros fatos continuarão marcando, ou melhor, sujando as páginas de nossa história já tão manchada e vilipendiada... até quando!?






quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Música e sonho.









Fechei 2010 com saldo musical positivo, isso é muito legal! Hoje faço parte de uma banda, um grupo de pessoas que, além de uma amizade sólida, possuem interesses musicais bastante comuns, graças ao cosmo. Fizemos poucas apresentações, o suficiente, porém, para concluirmos que a banda deu certo -nosso "time" e nosso "feeling" musicais nos mostraram isso.
O universo é um manancial de surpresas; às vezes, temos a impressão de que determinadas coisas ou pessoas, por mais explícitas que sejam, se escondem, criando um estado de angústia interior, como se algo ou tudo esperado nunca fosse dar certo, mas... eis a magia - o Tempo - em seu ritmo constante e imutável, acaba trazendo à tona surpresas indizíveis.
Meu projeto musical permaneceu latente por quase cinco anos, ora tentando resgatá-lo o mais urgente possivel, ora esquecendo-o em função de outras coisas que a vida se nos apresenta; tantos altos e baixos, encontros que não aconteceram (tudo tem seu tempo!), até que, de agosto a novembro do ano passado, a vontade e a ansiedade espocaram juntas, e consegui parir um trabalho, que gratificante isso é...
Durante a maior parte de minha vida, releguei a música a um plano nada louvável, substituindo-a por uma atividade da qual não tenho saudades - desde garoto, trabalhei em função de um salário, pela subsistência, enfim, por uma carteira registrada; meus pais me educaram assim, e eu acabei seguindo o curso desses preceitos, infelizmente. Isso tudo me legou uma aposentadoria e um problema crônico chamado de L.E.R./D.O.R.T. (lesões por esforços repetitivos e/ou distúrbios osteo-musculares relacionados ao trabalho), nada mais.
Há bons anos atrás, minha médica me aconselhou a não deixar de tocar, de pegar meu violão, pois isso não interferiria negativamente nesse meu processo crônico; ao contrário, me faria muito bem, principalmente à minha alma... e segui seu conselho, abraçando meu instrumento numa relação gostosa e, ao mesmo tempo, temerosa, mas que fui me acostumando até perceber que isso realmente me fazia bem. Não frequentei escola de música; a única experiência marcante foi estudar guitarra por mais ou menos um ano com um professor particular, mas isso pouco interferiu naquilo que chamo de "minha pegada pessoal" - um jeito meu de tocar o violão, explorando as cordas superiores como que fazendo uma espécie de baixaria conjunta à harmonia.
Acho que deu certo; muita gente me diz que toco de um jeito interessante, que tenho uma pegada legal, e isso me deixa feliz, muito feliz mesmo, é o jeito que dei, e isso me deixa satisfeito em relação ao que consegui e consigo explorar no universo de minha musicalidade. E como tenho muita sintonia e facilidade com o contrabaixo, fiz disso um prolongamento nessa minha proposta musical, tanto que são esses os dois instrumentos que toco - o violão e o contrabaixo.
Percebo que fiz coisas extremamente marcantes e densas no decorrer de minha vida e, também, coloquei outras no baú do esquecimento - a principal de todas foi exatamente ter deixado de me dedicar à Música de cabeça e alma durante pelo menos dois terços de minha vida - e todo esse tempo pesou em mim, em meu coração, em minha alma, tanto que até cheguei a pensar em nunca mais pegar num violão, afinal de contas, isso não me levaria a qualquer ponto de convergência entre minhas vontades e minhas desvontades na vida... mas errei, ainda bem! Errei e só eu sei o quão importante foi resgatar um tempo só meu, um tempo onde eu me permiti não parar de tocar...
Percebo, também, que há determinadas coisas que não estão mais à minha mercê como, por exemplo, estudar técnica de instrumento exaustivamente - cheguei à conclusão que o que faço, apesar de simples, é bem feito e executado dentro de meu jogo de cintura, por sua vez, consegue atender determinadas exigências no processo de um trabalho em grupo, e isso me faz sentir muito bem comigo e com eles.
Fazemos um trabalho acústico muito legal, que vai do Pop ao Rock, sem deixar de passar pela boa MPB, as pessoas tem gostado bastante dessa nossa proposta e temos sido muito bem recebidos e ovacionados pela platéia - isso é maravilhoso!
Eu e meus dois amigos da banda temos muito em comum, faixa etária, gosto musical, geração afim, mas o principal mesmo é a amizade sincera e o caminho espiritual comum a todos - somos irmãos de fé!
Estou iniciando um ano que me promete boas surpresas no campo musical, e tenho certeza que isso irá acontecer, graças a mim, graças aos meus companheiros, graças ao plano divino; sem falsa modéstia, percebo que cada um de nós está dando o melhor de si e no conjunto dos bons momentos que temos passado juntos, é edificante, é compensador, é... merecedor dentro do quinhão de cada um!
Não faço ideia do quanto irei viver ainda, e isso realmente não me importa! Há pessoas que desejam viver muitos e muitos anos, outros, temem a morte, enfim, cada um tem seus motivos pessoais quanto à expectativa de vida, mas o que penso e quero, daqui para frente, é conseguir realizar poucas e boas coisas que compõe o leque de minhas aspirações - e, sem dúvida alguma, a Música ainda ocupa primeiro lugar no meu pódium pessoal; pretendo (e vou) viver o suficiente para cobrir determinadas lacunas que ainda estão em minha alma... morrer será consequência, e no tempo certo, sem medo ou arrependimento!
Agradeço, também, pela força da família, em particular o incentivo constante da Carmo e o carinho de meus filhos, principalmente no dia da nossa estreia - nós quatro sabemos da importância da música no nosso dia-a-dia, sem deixar de louvar os amigos que também fazem parte dessa salada musical... como diz o velho ditado "cada macaco no seu galho", e todos no mesmo movimento, não é mesmo?
Sonhar ainda é bom... os "3 THOTTENS" que o digam!




terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fechando o ano de 2010.


Já faz um bom tempo que não escrevo neste meu espaço, e isso tem mexido com meu "eu" constantemente, pois, se tem algo que gosto de fazer, a isso chamo de escrever, independentemente da vertente do conteúdo.
Confesso que estou fechando um ano com chave de ouro (a duras conquistas!) comigo mesmo, o que é importante! Estou sentindo a "insustentável leveza de meu ser" desde os últimos dois meses para cá, aff!, ainda bem, afinal, ainda sou filho Dele, não é mesmo? Diria que é o inicio do espocar de um longo processo de maturação que vem acontecendo de cinco anos para cá, aproximadamente e, creiam, um processo doloroso e angustioso... mas estou começando a colocar a casa interior - meu altar pessoal - em ordem, graças a Deus, a uma série de circunstâncias e, lógicamente, a mim. Não existe mágica ou milagre no dia-a-dia, a vida apenas é o que tem de ser dentro dos limites do prazer e da dor. E agradeço por tudo o que me aconteceu nesse período, tudo mesmo, pois hoje sinto minha bagagem um pouco mais pesada e aumentada através das experiências da vida.
Enfim, estou escrevendo tudo isso apenas com o intuito de desculpar a mim mesmo por ter permanecido todo esse tempo numa espécie de inércia... mas, agora, o movimento reinicia!
Não pretendo mais deixar de postar neste meu blog; para isso, firmo a mim mesmo a meta de escrever um artigo semanalmente - no mínimo!
E aproveito o momento para agradecer ao cosmo por tudo - sejam coisas divinas ou não - pelo momento de crescimento pessoal que venho passando. Dizem que o sofrimento nos torna sábios, mas longe disso querer fazer disso uma verdade pessoal minha; apenas quero compartilhar alegrias e tristezas com quem estiver por aqui lendo estas minhas linhas...
Espero que tudo o que aqui coloco sirva de patamar a todo tipo de questionamento possível, pois é mudando (e sentindo-se em mudança) que conseguimos evoluir neste planeta, seja como ser humano ou como espírito.
Agradeço a todos os seguidores pelo carinho e compreensão de sempre, desejando um 2011 pleno de realizações divinas, cada uma dentro do merecimento de cada um. Fiquem na energia divina com um forte abraço meu, obrigado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Jantar.


O mês inteiro no preparo daquele jantar.
Tudo deveria estar impecável.
A quantia que o Dr. Dirceu adiantou merecia uma gentileza; assim, os juros talvez seriam perdoados e novos contatos surgiriam.
Oportunidade única de evitar a ruína iminente -
sua missão estava cumprida!
Era torcer para que todos viessem.
Olheiras pesavam no rosto de seu companheiro que, arqueado, revelava cansaço em seu humilhante sorriso sem jeito ao cumprimentar os convidados que chegavam.
Pouco a pouco, o som das gargalhadas se distanciava, tornando aquela cena um teatro mudo de horrores.
Era possível a ela ver, no lugar dos corações daqueles seres, buracos mal cheirosos, purgando um líquido morno e sem vida.
No lugar de mãos, bocas retorcidas e garras completavam a imagem dos personagens daquele espetáculo grotesco.
Trazendo o prato principal, a empregada quase derrubou a bandeja ao perceber o rosto lívido da patroa.

Um garfo cai...ela desperta, então!
Percebe, assustada, que alguém a está encarando; a caricatura do grupo  se esvai e ouve a esposa de um dos investidores elogiando a vitela.
Responde de forma gentil, voltando a si, mas fica intrigada e começa a olhar com mais atenção, cada uma daquelas figuras sentadas à mesa.
O tom melódico das vozes hipinotiza, tornando irrecusáveis as propostas.
Os sons tornam a sumir e  ela nota então que, junto dos que à mesa estavam, espectros se aproximam, sugando tudo o que poderia ser sugado naquela sala - o perfume da carne, as bebidas, a energia daquela farsa, onde um precisava tirar do outro o maior  e melhor proveito.
De maneira ávida, porém, discreta, vê nitidamente quando algo se aproxima do mais falante, e se acopla em sua jugular, criando uma simbiose bizarra.
O sensível esposo afunda na cadeira cada vez mais e,  pela primeira vez,  seus olhos brilham de alegria com um  tolo comentário ao ser elogiado pelos demais.
O chão do aposento está forrado de ratos e baratas, o teto é coberto por um manto negro que se move estranhamente, insetos e morcegos festejam a refeição.
Todos vieram! 

Carmo Tavares  

sábado, 21 de agosto de 2010

Réquiem Aeternam Dona Eis




















"Dai-lhes o repouso eterno".


É chegada a hora do último adeus. Uma derradeira caminhada para um destino do qual todos queremos fugir, mas ao qual estamos irremediávelmente condenados.

Em volta do caminho, monumentos de pedra e cimento nos dão alguma certeza inconsciente de que a jornada será segura.

Inevitável dor para os entes queridos que ficam, desagradável obrigação moral para os nem tão próximos.

Sensações que nos levam a baixar o olhar, como que procurando no chão um alívio milagroso para essa agonia velada.

Será realmente a morte o fim da vida? Será tão sombrio e triste o outro lado? Questões que incomodam e intrigam.

A coragem de erguer a cabeça e lançar um molhar mais observador e menos apaixonado sobre as peças revela beleza e vida, em contraponto ao silêncio eterno das almas em sua última morada.

(texto de Wilson Mahana)


Para quem aprecia arte tumular, vale a pena ir ver a exposição do fotógrafo J. Andrade na estação Clínicas do Metrô, com várias fotos em 'pb', ilustradas com magníficos versos do poeta Augusto dos Anjos (1884/1914). Eu ví, apreciei e amei, por isso tomei a liberdade de divulgar este trabalho em meu blog.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Minoria X reacionarismo.


Fui educado dentro de um processo de respeito ao próximo, ou seja, dar lugar aos idosos, mulheres grávidas, pessoas com crianças de colo, enfim, como meus pais me ensinaram - sempre me portei dentro desses parâmetros, não por culto ao que o social pensa de mim, mas por acreditar nesses preceitos.

Infelizmente, percebo que esses tais atitudes estão se tornando raros - a indiferença e o descaso têm sido companheiros leais no comportamento das pessoas, salvo algumas exceções, lógico!

Mas, também, percebo que essa "elite" diferenciada tem apresentado comportamentos que excedem o limite da compreensão e da paciência. Hoje, por exemplo, estava na fila do ônibus e, como de praxe, os idosos subiram à frente para, teoricamente, ocuparem os lugares que lhes são concedidos por lei. Haviam pelo menos uns oito representantes dessa faixa etária e praticamente todos foram ocupando os assentos que lhes são destinados por direito, com exceção de um casal que teve o descaso de se sentarem isoladamente em bancos individuais e não preferenciais...

Eu era uma das pessoas que pretendia sentar num dos dois bancos e não consegui deixar de olhar para ambos e comentar que eles estavam ocupando um lugar comum, e isso não estava certo, pois ainda haviam lugares conferidos a eles!

O homem, olhando-me de frente, apenas limitou-se a responder um sonoro "um dia você também chegará aqui, como eu!", ao que redargui de imediato "sim, certamente, se não chegar, páro no caminho, mas tenha a certeza que continuarei prezando por meus direitos e obrigações de cidadão, e acho que o senhor, agindo assim, está abusando de seu privilégio!"

Ele simplesmente desviou o olhar, como se eu nada significasse...

Fiquei extremamente chateado. Valeria a pena continuar uma discussão assim!? Ao meu ver, não, porque eu perderia terreno pelo simples fato de incorrer num estado tal onde a hipocrisia, acobertada pelo inconsciente coletivo, fariam com que eu parecesse o carrasco de tal acontecimento, e longe de mim isso!

Sinto-me pesaroso escrevendo isto, mas não conseguí fugir à minha têmpera e caráter, pois acho e, infelizmente, tenho certeza de que a tal "melhor idade" não aprimora os seres humanos - ao contrário, com o tempo, eles vão se revelando um pouco mais!

Tenho cinquenta e quatro anos de idade, e sei que estou a caminho da velhice - se não parar antes no percurso da vida - e jamais me permitirei utilizar de atitudes mesquinhas, amparadas numa lei hipócrita, pois acima de tudo, sou um cidadão, e as relações deveriam simplesmente ser pautadas nessa troca - a cidadania pela cidadania!

Fui!!!!!!!


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Non Ducor Duco.




























Não pretendo ser saudosista - longe disso! - mas sinto na pele e no "meu" tempo mudanças assombrosamente rápidas, sabe, eu, tu, nós...
Venho de uma geração que se permitiu andar descalço e jogar futebol em rua de terra batida - como era bom e saudável, mesmo levando os tais "tropicões" nos pés - e havia, também, as festas juninas com fogueira e coisa e tal, a vizinhança toda participava, era diferente, sem querer dizer que tudo andava às mil maravilhas - estaria mentindo - pois não andava! Mas me parece que as pessoas se trombavam mais e com um tempo mais facilitado para tudo isso...
Era eletrizante ir à loja de discos - longplays - e comprar o último do Black Sabbath, do Deep Purple, entre outros; às vezes, chegava a economizar para, de repente, gastar tudo em som, música, em prazer sonoro, gozo sensorial...
Em poucos anos, a tecnologia driblou e suplantou problemas, tornando-os tão insignificantes que hoje em dia não se valoriza as dificuldades por tudo que as facilidades de hoje nos permitem - como era gostoso gravar uma música emendada a outra numa fita K-7, uma verdadeira batalha para unir tempo e espaço musical através de uma aparelhagem simples ...
Ia a uma pizzaria, há questão de uns parcos quarenta anos atrás, era um verdadeiro acontecimento! E haviam as tradicionais mozzarella, alho e óleo, calabresa, portuguesa e atum. Hoje, enquanto a fome nos devora, perdemos um tempo enorme em escolher o que se vai querer e, quanto maior o número de opções, maiores as dúvidas, uma confusão gastronômica e mental incríveis!
Trânsito! Parece mentira, mas isso sempre aconteceu de forma a nos tirar do sério, como se não houvesse mais possibilidades de melhora, mas... será mera impressão ou os veículos acabaram por tornar-se verdadeiros "tanques de guerra" - uma guerra fria, calculista e de poder - quem está dentro deles confina-se em seu micro mundo e pretende que o resto se dane (para ser mais educado)! Houve época em que automovel era sinal de necessidade; hoje, essa necessidade suplantou o status, impondo uma linha divisória forte e preponderante entre quem realmente necessita e quem tem mais! Progresso!? Não sei, prefiro acreditar que não, principalmente numa capital como a minha, que recebe diáriamente mil veículos novos nas ruas. Tenho até saudades de andar de bicicleta, uma grande aventura nesta cidade que amo, mas que acabou por deixar-me amedrontado e impotente, frente a uma lei selvagem subliminar que permite ao mais forte fazer e desfazer, impondo um estado de insegurança e desrespeito para com o mais fraco... alguém já teve a oportunidade de assistir o filme "Encurralado"!?
Percebo, com isso, que valores importantíssimos foram se perdendo; um deles, talvez o mais importante, é o respeito para com o próximo - não há quem não se sinta com o ego massageado quando tratado com dignidade e respeito! E hoje em dia, aquém desse respeito pelo próximo, não respeitamos a nós mesmos, o que é mais dificil de aceitar!
Namorar no escuro, às escondidas, era sinônimo de conquista. Passear à noite, caminhando e roubando beijos e abraços fazia parte dessa conquista - hoje, nada mais é do que impor-se e conseguir vencer a violência desmedida!
Andar e falar sozinho na rua era um sintoma de loucura... Atualmente, os fones de ouvido de celulares justificam tal atitude. Por várias vezes me ví impelido a procurar a ajuda de alguém com uma dúvida, uma informação ou seja lá o que for, e percebí que estava sendo inconveniente, pois a pessoa acabava por ter de sair de seu mundo hermético para me dar uma resposta rápida e seca! Percebo que um número cada vez maior de "fonados" vem aumentando; pessoas cada vez mais imersas em sua individualidade sonora, sem falar naquelas que não se permitem mais dispor de seu sagrado tempo de almoço, por estarem conectadas vinte e quatro horas por dia a um mísero aparelho de comunicação...
Palavras, palavreados, gírias, chavões... um mundo cada vez mais amplo e que, ao mesmo tempo, foge cada vez mais de nossa língua- mãe. Assusto-me constantemente, escutando verdadeiras aberrações onde, de repente, pergunto a mim mesmo: "o que será que estão querendo dizer com isso!?" Será que devo me sentir como um excluído na terra que me abriu os braços e fez com que a língua portuguesa fosse meu carro-chefe no dia-a-dia!? Essa língua, linda e maravilhosa, cada vez mais perdida em meio a mentes dilaceradas pelas injeções de banalidades passageiras e supérfluas...
Tudo tão rápido e tão sem concretude, sem o troféu da perenidade; valores são construídos na mesma velocidade com que são destruídos - a mídia é mestra nessa arte! Mesmo assim, detesto adentrar o papo ufanista do "antigamente", como se isso purgasse a humanidade dos feitos e das desgraças de sempre...
Como bom libriano que sou, sempre me sentí à vontade para com a proximidade alheia, um papo informal, uma pergunta, etc., mas hoje, exatamente hoje, sinto cada vez mais a distância das pessoas ao meu redor. Existe uma força que move a massa através das ruas, impelindo-as a caminharem como verdadeiros autômatos que não olham o que vem à frente - bólidos humanos (ou humanóides!?) que fazem da força física a mola-mestra da grande aventura do cotidiano, pretendendo mostrar ao mundo que chegaram para dominar, mas não percebem que o nada os está dominando, promovendo uma relação direta entre a massa muscular e a mente bruta...
Até pouco tempo atrás, gerente era alguém que, devido aos longos anos de atividade, possuía conhecimento e experiência do todo dentro da empresa. Hoje, sinto-me ultrajado quando sou obrigado a resolver um determinado problema com um tal gerente - alguém que a parca idade ainda não possibilitou a envergadura de um lider!
As escolas nada mais fazem do que possibilitar diplomas a pessoas despreparadas que, mesmo depois de formadas, ainda se comunicam de forma hilária e patética... A ditadura militar conseguiu efeitos contundentes e letais ao suprimir as cadeiras de Filosofia, Psicologia e Sociologia no segundo grau no início da década de 70 - afinal, para que as pessoas pensarem!? Quem pensa também questiona e age...
Hoje, estou imerso num mundo tão moderno e rápido, mutante e degradante, que tem me incomodado muito, o suficiente para não deixar de tomar meu antidepressivo e perguntar-me aonde irei parar com tudo isso!
Vivemos um momento surpreendente, que nos permite reescalonar valores perdidos num passado tão próximo. Somos nós mesmos que procuramos tudo isso ou somos meros estafermos de um sistema podre que nos alicia e nos anestesia, fazendo com que caminhemos a passos largos, longe de nossa verdadeira essência em querermos um mundo melhor?
Ao menos, resta-me a lucidez de ter a certeza que a energia divina - manipulada e justificada por mentes sórdidas e perversas - está acima de tudo e de todos, permitindo a cada um de nós o livre-arbítrio na senda da vida.

"Alea Jacta Est".

terça-feira, 13 de abril de 2010

Então...


A vida inteira foi sempre a mesma coisa: levantar cedíssimo, ir para o trabalho e chegar em casa no início da noite. Um automóvel excelente era seu parceiro de rotina - talvez seu melhor amigo! - e, vez ou outra, arriscava um cumprimento geométrico com suas sobrancelhas.

De temperamento impetuoso e agressivo, colecionou homéricos bate-bocas - e isso, sem falar nos "finalmente"!

Amigos!? Nenhum, volto a dizer, mas para quê!? Afinal, foi sempre um homem independente, um verdadeiro super-homem.

Ele não percebeu (normalmente, é sempre assim), mas o tempo passou, e hoje limita-se a olhar os netos numa parva expressão de devaneio - verdadeiro "anjo emoldurado".

A morte, com seu olhar frio e calculista, o espreita de esguelho, mas ele ainda não se deu conta disso, e o amanhã continuará reservado a outros e outros e outros, verdadeiros astros e estrelas da incrível dança da vida...



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nos corredores da vida...


Cena 1: caminho através do corredor de acesso ao supermercado onde, também, saem de lá os automóveis em sentido contrário.

Cena 2: escuto o tradicional "bip-bip" de um carro que vem em minha direção; em seu interior estão o motorista e um acompanhante; a buzinadinha foi dirigida a uma morena que caminha à minha frente.

Cena 3: eles acabam de passar por mim e "bip-bip", mais uma buzinadinha e eu, reconhecendo o som, olho prá trás e percebo que a nova homenagem, dessa vez, foi para uma outra garota que vem atrás de mim.

Cena 4: mais um "bip-bip", só que partiu em direção a uma falsa loirinha que estava mais atrás ainda...

Uma única certeza perspassa meu cérebro: as três garotas certamente ficaram na dúvida de quem realmente foi a merecedora daquele "bip-bip" galanteador, não é verdade? E, certamente, frustradas com tamanha indecisão e falta de sensibilidade dos jovens conquistadores que, pelo jeito, não sabem o que querem...

"bip-bip", com licença, estou com pressa!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ó, Doce Yá...

Segundona, dia cheio prá muita gente, menos prá mim; estou me preparando para fechar a porta e correr à praia que me espera como uma Yemanjá prontinha a me embalar... Opa, de repente, a lembrança - Acender a vela azul clara prá minha doce Yá! Aí, então, depois de uma prece feita de coração, caminhar pela praia como se o mundo estivesse aos meus pés.

Menos de um quilometro percorrido e diviso uma porção de pessoas que, em seus ritualísticos, se preparam para uma pequena cerimônia; vão entregar um barquinho que, no movimento de vai-e-vem das ondas, irá direto para o alto mar - isto é, se a Senhora das Águas aceitar a oferenda, caso contrário, retornará à praia (pois em ambas as situações, o que vale é a intenção do ofertório).

Atabaques em uníssono, pontos cantados aos Orixás, a defumação presente e, de repente, sou saudado pela Mãe-de-Santo que, de incensário na mão, me abençoa em meio a outros devotos; ganhei até uma mensagem de presente - "abra teu sorriso ao mundo para conseguir o que necessitas...". Hmmm, muito interessante, haja visto como venho me surpreendendo com o jeito que vislumbro a vida...

Aceito a benção e giro meu corpo 360 graus em sinal de respeito e agradecimento, e abro um admirável sorriso para aquela mulher que, sem me conhecer, acabou tocando minha alma de forma singular - simples em seu jeito de ser e majestosa em sua essência.

O barquinho é conduzido para além das sete ondas com muito carinho e respeito, propiciando um clima de ansiedade geral, onde é fácil de se ler nos semblantes frases do tipo "ai, meu Deus, não deixe o barquinho voltar, não!"... E não voltou!

Doce Yá aceitou o mimo que, lentamente, foi sumindo em direção ao alto mar para, depois, ser tragado pela imensidão dos domínios dessa fantástica Senhora.

Meus olhos perderam de vista a frágil embarcação, e meu coração encheu-se com a certeza de que aquilo não acontecera por acaso, não. Houve, sim, a incrivel e maravilhosa conexão de meu ser com a força e a energia de Yemanjá... e não foi preciso que a terra estremecesse ou, então, que o mar adentrasse com sua fúria para que isso fosse sentido, pois Ela é amor puro, por isso que se canta "como é lindo o canto de Yemanjá, faz até o pescador chorar, quem escuta a mãe d'água cantar, vai com ela pro fundo do mar, rainha das ondas, sereia do mar".

Ó, Doce Yá, eu te saúdo com muita ternura e com muito amor...